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 Vidas solitárias

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MensagemAssunto: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:03 pm

Título: Vidas solitárias
Autor(a): Jussara/bajumoon
Shipper: Major Nelson/Jeannie
Gênero: Drama
Censura / Classificação: PG-13
Capítulos: 19 mais epílogo
Completa: Sim
Resumo ou uma promo: Jeannie sente solitária, pois seu marido anda trabalhando muito. Passeando para distrair, ela conhece uma garotinha, que logo se torna sua amiga. Mas o Major Nelson não está gostando dessa amizade, por ciúmes do pai viúvo da menina. Será que Jeannie terá que desistir sua nova amiguinha?

I
Uma, duas, três... Dez! Somente naquele cantinho.
Jeannie pensava, suspirando aborrecida, contando as estrelas no céu.
O céu estava muito bonito naquela noite. A lua cheia reinava majestosa e radiante, mas a gênia não conseguia apreciar devidamente a beleza dela.
Sentia-se tão solitária! Muito mais do que no tempo em que se encontrava presa em sua garrafa.
Casada há alguns meses com seu amo, ela nem tivera a chance de passar muito tempo a sós com ele.
Como de costume, ele estava muito atarefado com um novo e importante projeto da NASA.
Era sempre igual, desde que ela o conheceu. Ele se entregava de corpo e alma ao trabalho, ficava até altas horas da noite no escritório e nas raras vezes que vinha cedo, mergulhava em seus relatórios, esquecendo-se de qualquer outra coisa que estivesse ao seu redor.
“Isso é temporário, querida! Tenha um pouco de paciência! Logo teremos tempo para ficarmos juntos, só nós dois!” Ele lhe dissera, respondendo as constantes reclamações da esposa.
Jeannie se calou, mas sabia que não era verdade. Não que ele estivesse mentindo para ela, mas sim para ele mesmo.
Ele não iria cumprir o que prometia. Não poderia. Seu trabalho exigia o máximo dele e ele amava demais o que fazia.
Jeannie intimamente sentia-se um pouco amargurada com isso. Sempre pensava e sonhava que, no momento em que se tornasse a esposa de seu amo, teria Tony somente para ela. Mas a desilusão viera logo após os votos.
Ele parecia viver somente para o trabalho. E ela passava a duvidar que ele a amasse mais do que sua profissão.
E para ela, estava sendo muito mais difícil agora, pois estava como nunca apegada a ele e não queria deixá-lo por um só momento. Mas não havia nada que ela pudesse fazer.
O melhor era tentar se distrair. No dia seguinte, ela iria fazer compras, dar um passeio no parque, ir ao cinema.
Qualquer coisa que a fizesse esquecer, mesmo que por pouco tempo, a solidão que sentia.
***
O Major Nelson revisava uns gráficos na sua sala, junto com o Major Healey, quando uma mulher de cabelos negros, olhos castanhos, altura mediana e corpo curvilíneo, aparecia na frente deles.
- Tony, Roger?
Ambos olharam ao mesmo tempo surpresos.
- Lisa? Ora, que surpresa! Não esperava encontrá-la na cidade, muito menos aqui na base! – disse Tony, aproximando-se da mulher e a cumprimentando.
Roger Healey fez o mesmo.
- Agora sou uma das secretárias aqui! Mudei-me há pouco tempo para Cocoa Beach!
- Não me diga! Fico contente! – Disse Tony.
- Fica mesmo? – ela acariciou de leve o rosto dele e Tony ficou constrangido.
- Hehe. Eu também fico contente, Lisa! – disse Roger na mesma hora, se aproximando da moça.
- Eu tenho ir trabalhar, mais tarde nos falamos! - Ela se afastou dele e disse que voltava depois.
O Major Healey olhou para Tony com malícia.
- É, parece que o negócio dela é mesmo com você!
- Não diga bobagens Roger! Ela só foi gentil!
- Não é bobagem! Não se esqueça de que vocês já foram namorados. Talvez ela queira voltar a ter algo com você!
- Isso foi há muito tempo! Talvez ela já tenha um compromisso sólido, como o meu!
- Eu duvido. Em todo caso, tome cuidado com a sua super ciumenta esposa! É melhor não contar a ela sobre sua ex, por aqui!
-É, acho que nisso você tem razão! Mas é melhor voltarmos ao trabalho! – disse Tony e eles voltaram a se concentrar nos gráficos.

Continua...
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:37 pm

II
 
Jeannie andava displicentemente pelas ruas da Praia dos Cocos, quando viu algo que chamou sua atenção.
Uma menina, que não deveria ter mais que seis anos, estava sozinha, olhando fixamente para uma vitrine.
Curiosa, Jeannie se aproximou, para ver o que a garotinha tanto olhava e sorriu ao perceber que era uma boneca.
- Ah, que boneca linda! – disse a gênia, puxando conversa com a menina.
- Sim! – a menina falou entusiasmada. – Olha! Ela tem os cabelos ruivos, como eram os da minha mamãe!
- Ah, mesmo? E onde ela está? Você se perdeu dela? Quer que eu te ajude a procurá-la? 
- Não. Ela foi para o céu, quando eu tinha quatro anos!
Jeannie olhou para a criança com um aperto no peito. Ela era tão pequena. E já estava sem sua mãe!
- Ah, querida, sinto muito! – foi tudo o que ela conseguiu dizer.
- Tudo bem! Ela se foi, mas me deixou com o meu papai! – ela sorriu para Jeanne e a gênia sentiu seu coração se derreter.
Que garotinha mais fofa, com aquele sorriso de “janelinha”, com os dentes de leite da frente já ausentes. Tinha os cabelos tão loiros quantos os dela própria e os olhos verdes, parecidos como os de Anthony! Ah, como ela gostaria de ter uma filhinha assim! Pensava ela.
- E onde está o seu papai?
- Não sei! Ele me disse para esperá-lo no carro, mas eu queria vir aqui!
- Não devia ter saído do carro, é perigoso! E seu pai deve estar preocupado!
A menina abaixou a cabeça com a repreensão de Jeannie e a gênia sentiu-se mal.
Ela se abaixou, olhando de frente para a menina.
- Está tudo bem! Vamos procurar o seu pai! Mas antes, venha comigo!
Jeannie se ergueu e segurando a mão da menina, entrou na loja e comprou a boneca.
A gênia deu a boneca para a menina.
A criança arregalou os olhos e a pegou sem acreditar.
- É minha mesmo?
- Sim, é um presente!
A menina deu um salto de alegria e abraçou Jeannie pela cintura.
- Muito obrigada!
A gênia sorriu, alisando os cabelos da menina.
- De nada! Agora vamos procurar seu pai!
Elas começaram a andar pelas ruas e Jeannie falou:
- Eu ainda não sei o seu nome!
- É Maggie!
- Ah, que bonito nome! Eu me chamo Jeannie!
- Jeannie? O seu nome é ainda mais bonito!
- Obrigada!
- Ah, eu já sei! Minha boneca vai se chamar Mary Jeannie!
- Haha, Mary Jeannie? 
- Sim! Jeannie como você e Mary como a mamãe!
Jeannie abriu a boca, para dizer algo, quando um homem se aproximou rapidamente das duas.
- Maggie! – ele correu e abraçou a menina. – Onde estava, minha filha? Eu a procurei por toda a parte!
- Eu queria ir à loja, ver as bonecas!
- Você sabe que não deve sair sozinha, mocinha! Eu não mandei você me esperar no carro? Vai ficar de castigo, quando voltarmos para casa!
Maggie fez cara de choro e Jeannie se dirigiu ao pai dela.
- Por favor, não seja tão duro com ela! Ela não vai fazer de novo, tenho certeza!
- E quem é você? – disse ele desconfiado.
- Eu sou Jeannie Nelson! Encontrei sua filha olhando para a vitrine e resolvi ajudá-la a encontra-lo.
- Ah, sim! Nesse caso, eu agradeço muito, senhora Nelson! Meu nome é Mark Jones! Desculpe se fui ríspido, mas estava muito aflito!
- Eu compreendo-o, senhor Jones.
- Veja papai! A Jeannie me deu uma boneca! – disse Maggie, outra vez animada.
- Ah, não deveria ter se incomodado, senhora! Maggie tem uma coleção enorme de bonecas!
- Ah, não foi incômodo nenhum!
- Essa é especial papai! Ela tem os cabelos como os da mamãe! Por isso o nome dela também é Mary! Mary Jeannie!
- Maggie... – Mark a olhou com tristeza.
O olhar do homem sensibilizou Jeannie, que disse rapidamente:
- O que acham de irem até minha casa, tomarem um chá?
- Eu não gosto de chá! – reclamou Maggie rapidamente. – Será que você tem bolo?
- Margaret! – Mark a repreendeu, olhando sem graça para Jeannie. – Sinto muito, senhora Nelson.
- Haha, ela só foi sincera! – Jeannie se voltou para a menina e disse: – Acho que posso providenciar para a senhorita um bom pedaço de bolo de chocolate! O que acha?
- Sim! Eu quero! Amo bolo de chocolate! Podemos ir papai? Por favor? – a menina olhou suplicantemente para o pai.
- Não queremos dar trabalho, senhora Nelson!
- Não é trabalho algum! Vamos?
- Está bem, eu agradeço! Vou buscar meu carro! – ele saiu e Jeannie segurou a mão de Maggie, sorrindo.
Meia hora depois, Jeannie servia um pedaço de bolo para Maggie, que o pegou nas mãos levando rapidamente a boca.
- Maggie, use os talheres! – pediu o pai, mas a menina já tinha comido quase tudo.
Jeannie riu e Mark balançou a cabeça suspirando.
A gênia serviu outro pedaço de bolo para a garotinha, que agora comia mais cautelosa, sob o olhar atento do pai.
Ele se ergueu do sofá, andando pela sala. Jeannie também se ergueu, enquanto Maggie continuava entretida com seu bolo.
- Eu sinto muito pelo comportamento de Maggie, senhora Nelson!
- Ah, ela é só uma menina, senhor Jones! Não tem razão para o senhor ser tão duro com ela! 
- Sim, acho você está certa! Mesmo depois desses dois anos, ainda me sinto perdido! Quero que Maggie tenha a melhor educação, mas está sendo muito difícil cria-la sem Mary!
- Eu imagino! E sinto realmente por Maggie e por você, senhor Jones!
- Eu agradeço! E agradeço pela sua gentileza com Maggie também! Ela ficou tão contente ao seu lado. Isso é raro, ela não costuma ser tão extrovertida com estranhos. E está sempre muito solitária!
- Ela não tem amiguinhos da idade dela?
- Muito poucos! O fato das outras crianças terem mãe deixa minha filha triste. E ela acaba se afastando de todos. Ela nunca disse nada sobre isso, mas eu pude perceber.
- Ah, isso é tão triste! 
- Sim, mas não se preocupe! Farei o que estiver ao meu alcance para que ela seja feliz!
Jeannie sorriu para ele e disse:
- Sabe, meu marido trabalha muito e eu acabo ficando muito sozinha aqui, o dia todo! Será um prazer se Maggie viesse me visitar com frequência! Assim ambas não ficaremos sós!
- Seria maravilhoso! Mas não quero que tenha trabalho, senhora Nelson!
- Não é trabalho algum!
- Muito obrigado! – ele a olhou com carinho.
***
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:41 pm

III 

Já se aproximava das três e meia da tarde, quando os Jones foram embora.
Maggie ficara radiante ao saber que poderia vir sempre visitar Jeannie.
A gênia também ficou feliz. 
Ela pensava na menina, quando de repente se assustou. Tinha se esquecido de que tinha uma reunião da Associação das esposas dos oficiais, às quatro da tarde.
Tinha que se apressar!
A gênia colocou um novo vestido em si e se piscou para a NASA.
Ela andava pelos corredores da base e consultou seu relógio.
Daria tempo de passar rapidamente pela sala de Tony, para dar-lhe um beijinho rápido.
Sorrindo, ela se dirigiu até a sala dele e abriu a porta. 
A gênia fechou a cara, ao notar a nova e bela secretária, conversando muito animadamente com seu marido.
- Boa tarde! – ela falou irritada.
- Ah, querida! O que faz aqui? – disse Tony, aproximando-se dela.
- Por que pergunta? Não queria que eu aparecesse?
- Não! Não é isso! Não precisa falar desse jeito! – ele a repreendeu, deixando a gênia ainda mais irritada.
- Acho melhor voltar outra hora! – disse Jeannie, mas o Major Nelson a segurou pelo braço.
- Espere aí! Lisa, essa é a minha esposa, Jeannie! Jeannie, essa é Lisa, a nova secretária da base.
As duas se olharam animosamente ao mesmo tempo, mas Lisa falou:
- Prazer em conhecê-la, Jeannie!
- O prazer é meu! – falou a gênia com um tom de voz que demonstrava tudo, menos real prazer em conhecer aquela mulher.
O Major Nelson deu um suspiro, vendo o ciúme de Jeannie.
“Roger tinha mesmo razão!” Pensava ele.
- Bem, eu tenho que ir para a reunião da AEO! Só passei rapidamente aqui para vê-lo. Até logo! – a gênia saiu rapidamente e Tony se voltou para Lisa.
- Sinto muito, Lisa! Jeannie não é sempre assim!
- Ela está com ciúmes de você! – ela deu um sorrisinho.
- Sim! Jeannie é um pouco ciumenta.
- E isso incomoda você?
- Bem, honestamente, algumas vezes sim!
- Os homens sempre se cansam de mulheres ciumentas!
- Mas eu não estou cansado de Jeannie! Eu acho algumas vezes seu ciúme irracional, mas a amo muito! E ela é uma mulher incrível!
- Está bem! Não quis ofendê-lo, foi só um comentário! – ela caminhou em direção à porta e completou: - Tenho que voltar ao trabalho. Falamos-nos outra hora!
Lisa saiu da sala com uma expressão nervosa.
“Ela que aproveite o quanto pode! Porque você, Anthony Nelson, será meu!” Pensou ela.

*** 

Jeannie comentou com Tony sobre Maggie, que não gostou muito da ideia da garotinha frequentar a casa deles.
“Não acho nada bom, Jeannie! E se ela descobrir que você é um gênio?” Ele falou.
“Isso não vai acontecer! Tomarei cuidado!” Ela replicou.
Tony continuou mostrando seu desagrado, mas Jeannie não o escutou. Não iria ouvi-lo dessa vez! Era ela que ficava sozinha todos os dias, enquanto ele mergulhava em seu trabalho. Além disso, estava chateada com a nova “amiguinha” dele!
Ambos acabaram mudando de assunto, deixando aquela conversa suspensa.
O Major Nelson continuou trabalhando muito, mesmo em casa, sem dar atenção a Jeannie.
Mas dessa vez ela não se aborreceu tanto, pois estava alegre ao pensar em sua nova e doce amiga.

***

- Papai está demorando! – disse Maggie a Jeannie, enquanto tomava o chocolate quente que a gênia lhe servia.
- Está sentindo falta dele? Deve ter se atrasado um pouco!
- Eu gosto de ficar com você, Jeannie! Mas papai me disse que não devo ficar muito tempo aqui!
- Por que não?
- Para não atrapalhar você!
- Você não me atrapalha! Eu gosto muito da sua companhia!
- De verdade?
- Claro!
Ela deu um largo sorriso e Jeannie ficou encantada. Seria muito fácil amar aquela menina!
A gênia despertou de seus pensamentos ao ouvir o barulho de um carro. Ela se ergueu do sofá e deu uma olhada pela janela. Era Mark.
Jeannie se adiantou e abriu a porta.
- Boa noite! – disse ela.
- Ah, boa noite, senhora Nelson! Desculpe a demora! Tivemos uma emergência e tive que ficar até mais tarde no consultório.
- Consultório? Aconteceu alguma coisa com o senhor?
- Ah, não! Acho que me esqueci de contar, sinto muito! Eu sou médico! Trabalho normalmente apenas por meio período agora, por causa de Maggie, mas às vezes surgem emergências!
- O papai é o melhor médico do mundo! – falou a pequena, intrometendo-se na conversa.
Jeannie e Mark riram.
- Muito obrigado, mas acho que você é um pouco suspeita para falar, Maggie! – ele comentou rindo.
- Eu acredito na opinião de Maggie, senhor Jones! – disse Jeannie. – O senhor deve ser um excelente médico!
- Muito obrigado, Jeannie, quer dizer, senhora Nelson! – ele não se conteve e segurou na mão dela, dando um largo sorriso.
A gênia sorriu sem graça, quando alguém apareceu à porta, atrás de Mark.
- Boa noite! – disse o Major Nelson com a expressão séria.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:44 pm

IV

Mark soltou a mão de Jeannie e se virou para encarar o homem atrás dele.
- Boa noite! – disse Jones.
- Anthony, esse é o pai de Maggie, a garotinha que eu havia lhe falado. – disse Jeannie, meio constrangida com o encontro dos dois.  – Senhor Jones, esse é meu marido, o Major Nelson.
- Prazer em conhecê-lo, senhor Nelson! – Mark estendeu a mão para Tony, que a apertou sem muita vontade.
- Prazer! – disse ele, um pouco “seco” demais. Ele olhou para a gênia e disse: - Achei que tivéssemos conversado sobre isso, Jeannie! Você sabe bem a minha opinião!
Jeannie olhou para o marido, com a expressão nervosa, indignada com a reação dele.
Mark notou o clima tenso e disse depressa:
- Bem, já está tarde e temos que ir! – ele olhou para a garotinha que encarava curiosa o Major Nelson e completou: - Margaret recolha seus brinquedos! Vou espera-la no carro!
- Sim papai!
- Muito obrigado por ficar com ela, senhora Nelson! – disse o homem.
- Foi um prazer, senhor Jones!
- Com licença! – ele saiu, dando uma leve acenada com a cabeça para Tony.
O Major Nelson entrou aborrecido dentro de casa.
- Eu disse a você que não queria...
- Anthony! Maggie ainda está aqui!
Ele se calou, olhando para a menina que terminava de pegar seus brinquedos.
Ela ia se aproximando da porta, quando parou em frente ao Major Nelson, olhando-o novamente.
- Você é casado com a Jeannie? – perguntou ela.
- Sim. Por quê? – disse ele, ainda meio irritado.
- Você é tão bonito quando ela!
O elogio sincero desarmou Tony, que não conteve um sorriso.
- Ora, muito obrigado! Você também é uma linda garotinha!
Maggie sorriu e se voltou para Jeannie, que também sorria discretamente.
- Até mais Jeannie! – ela abraçou a gênia e saiu correndo para fora, indo embora de carro com o pai.
- Ahh, ela não é um amor? – disse Jeannie, olhando pela janela, enquanto eles partiam.
- Sim. Mas pelo visto, você gostou mais do pai dela!
- O que quer dizer com isso, Anthony?
- Eu vi como vocês se olhavam quando eu cheguei! E estavam de mãos dadas!
- Não aconteceu nada demais! Ele é só um homem gentil e um pai muito amoroso! Não precisava ter sido grosseiro com ele, principalmente na frente de Maggie!
- Eu não gostei nada de encontrá-lo aqui em minha casa!
- Ele só veio buscar Maggie. Tinha acabado de chegar, quando você apareceu!
- Jeannie, eu já te disse: Não é bom que essa menina fique fazendo visitas aqui em casa. Mais cedo ou mais tarde, vai descobrir que você é um gênio!
- Isso não vai acontecer! Eu ando tomando muito cuidado. Não usei uma só mágica, enquanto ela estava aqui!
- Ainda assim é arriscado! Além disso, você não deve se apegar a ela. Ela não é nossa filha!
- Eu sei disso! – a gênia ficou ligeiramente chateada. – Mas a companhia dela me faz bem. E faz bem para ela também!
- Esqueça isso! Não quero mais vê-los aqui!
- Eu vou terminar o jantar, com licença! – falou ela aborrecida.
Tony deu um suspiro. Sabia que ela estava brava. Mas era melhor acabar de vez com essa amizade dela. Antes que a menina (e o pai da menina) se aproximasse demais. 

*** 
Já havia duas semanas que a garotinha continuava a frequentar a casa dos Nelson, mesmo depois da oposição de Tony.
Jeannie resolveu que continuaria recebendo-a escondida e pedira a Mark que viesse buscá-la mais cedo.
O pai da menina, não quis aceitar de início, não querendo que Jeannie tivesse problemas com o marido, já que percebeu que ele se incomodou com a presença dele.
Mas a gênia o convenceu, dizendo para ele não se preocupar com isso, pois ela não queria deixar de ver a menina.
Jeannie, depois de casada, raramente discordava de Tony, mas agora não iria acatá-lo.
Mesmo tendo decidido isso, ela achou melhor que ele não soubesse dos encontros, para evitar mais brigas.
Ela estava fazendo um bolo, com a ajuda de Maggie, quando a campainha tocou:
- É o papai! – disse Maggie, correndo para atender a porta.
- Olá, querida! – disse Mark, pegando a garotinha no colo e dando um beijo no rostinho cheio de farinha dela, colocando-a no chão em seguida.
- Olá papai, estou ajudando Jeannie a fazer um bolo!
- Ah, é mesmo?
- Sim, venha ver! – ela puxou o pai pela mão, até a cozinha.
- Como vai, Jeannie? – disse ele ao vê-la.
- Ah, olá! Desculpe não ir atender a porta, mas tinha que colocar o bolo logo no forno!
- Não se preocupe com isso!
- Será que podemos ficar até o bolo assar, papai?
- Sinto muito, querida, mas temos que ir! Pegue suas coisas para irmos embora!
- Ah, puxa! – ela saiu desapontada para a sala e Mark e Jeannie trocaram um sorriso.
- Sua filha é encantadora, senhor Jones!
- Tão encantadora como você! Não sabe como agradeço por ficar com ela! Ela não gosta muito de ficar com a babá, enquanto estou trabalhando.
Jeannie deu um sorriso sem graça.
- Pra mim, é um prazer estar com ela!
- Sabe, quando entrei aqui, senti de novo como quando Mary estava viva e eu voltava para o meu lar, louco para vê-la! Mas isso tudo isso não existe mais...
- Ah, eu sinto muito!
- Eu peço que me perdoe. Não deveria ter dito isso!
- Não tem importância! – ela fez uma pausa e acrescentou: - Desculpe, sei que não é da minha conta, mas talvez o senhor devesse se casar novamente!
- Nunca encontraria uma mulher que poderia ser uma mãe para Maggie! A única pessoa que seria perfeita, já está comprometida. – ele olhou para Jeannie intensamente, aproximando seu rosto do dela.
Jeannie ficou muito constrangida, mas não conseguia dizer nada, nem se afastar dele.
Eles ficaram muito próximos um do outro, olhando-se firmemente, quando Tony apareceu ali.
- Será que interrompo? – disse ele.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:45 pm

V

- Anthony! Chegou cedo! – disse Jeannie, afastando-se de Mark e se aproximando dele. – Não o esperava a essa hora!
- Tenho certeza que não! – disse ele.
- Acho melhor eu ir! – falou Mark. – Obrigado por tudo, Jeannie!
Ele foi até a sala levou Maggie, sem deixar que ela se despedisse da gênia. Não queria piorar as coisas entre ela e o marido.
Na cozinha, Tony olhava zangado para a gênia.
- O que vocês dois faziam aqui na cozinha, quase se beijando?
- Não é nada disso! Nós apenas estávamos conversando!
- Ah, que forma mais amorosa de conversar! – disse ele enciumado. – Pelo visto, ele vai estar sempre metido aqui, quando eu não estiver!
- Ele só veio buscar Maggie! Você não precisava ser tão grosseiro assim!
- Eu já disse que não quero essa garotinha aqui! 
- Ela está aqui para me fazer companhia, enquanto você não está!
- Mas ela não é sua filha, eu já disse! Não quero que se apegue a ela. Logo teremos nossos próprios filhos.
- Eu não entendo porque você se incomoda tanto com uma simples criança, que nem mãe tem, pobrezinha!
O Major Nelson controlou a vontade de dizer que o problema era o pai daquela menina.
- Eu não a quero aqui e pronto! É uma ordem!
- Não vou obedecê-lo! Eu gosto dela!
- Acho que é do pai dela que você gosta! – disse ele irritado, pegando seu quepe e saindo de casa.
Jeannie o olhou partir, sem acreditar na reação dele.
O que estava acontecendo com Anthony? Ele estava tão nervoso! Pensava ela, desanimada.

*** 
O Major Nelson tomava a sua segunda dose de Martini, no clube dos oficiais, pensando em Jeannie.
Talvez ele tivesse exagerado. Jeannie sentia-se sozinha por culpa dele e tendo o grande coração que tinha, era natural que se apegasse àquela menina.
Ele mesmo, se não estivesse tão incomodado com o pai da criança, teria amado ter aquela garotinha encantadora por perto.
Mas essa aproximação daquele tal de Jones de Jeannie preocupava Tony.
Ele percebera que aquele homem, estava interessado em sua mulher e aquilo o deixava muito irritado.
- Ah, que surpresa, Tony! Não esperava encontrá-lo aqui sozinho! – a voz de Lisa, despertou Tony de seus pensamentos.
- Olá Lisa! Como está?
- Muito melhor agora que o vejo! – ela sorriu para ele.
- Que bom! – disse ele desanimado. – Bem, se me der licença, acho melhor eu voltar para casa! Já está tarde e Jeannie deve estar me esperando.
- Ah, você não pode me fazer essa desfeita! Ir embora assim que eu chego! Fique ao menos por dez minutos. Não fará tanta diferença!
Ele a olhou indeciso, mas disse:
- Está bem!
Lisa sentou-se ao seu lado e pediu uma bebida.
- Você não parece muito bem, Tony! Algum problema?
- Não, não foi nada!
- Você brigou com sua esposa!
- Por que acha isso? 
- Eu conheço os homens como você! Se está aqui há essa hora, com essa cara preocupada, só pode ser problemas no casamento. 
- Ah, está certo! Tive apenas uma pequena discussão com Jeannie!
- Espero que não tenha sido por causa dos ciúmes dela!
- Não. Apenas não estou de acordo com algo e ela não quer me ouvir!
- Eu sinto tanto, Tony! Não acredito que ela possa ignorar sua opinião dessa maneira. Não sei do que se trata, mas deve ser algo importante!
- Não importa, Lisa!
- Claro que importa!
- Ela não faz por mal! Está apegada a uma garotinha que conheceu e a menina passa o tempo todo lá em casa. E o pai dela, que é viúvo, também! Mas eu não acho isso bom!
- Ah, e realmente não é! Na verdade, isso é ainda mais sério do que eu imaginava!
- Como assim?
- Bem, um homem viúvo, metido todo o tempo em sua casa, quando você não está...
- O que está insinuando, Lisa?
- Nada! Mas acho estranho que ela não queira deixar de vê-lo.
- Não é ele, é a menina!
- A menina pode ser apenas um pretexto dela!
- Não, não pode ser...
- Desculpe-me, Tony, não deveria ter dito isso! Deixei você ainda mais tenso!
- Eu simplesmente não sei o que fazer agora! Não quero voltar e discutir novamente com Jeannie.
- Escute, porque não vamos ao meu apartamento, tomar uma bebida, até você se acalmar? Esse ambiente público vai deixá-lo ainda mais nervoso.
- Eu acho melhor não, Lisa!
- Não se preocupe, não é nada demais! Somos amigos, não somos? Será somente para você relaxar por alguns minutos, num lugar silencioso, calmo. Até poder voltar tranquilo para sua esposa. 
O Major Nelson ponderou por um momento. Talvez fosse mesmo o melhor. Ele precisava de uma conversa tranquila, num lugar calmo. Realmente não havia nada demais nisso!
- Está bem! Podemos ir!
Lisa sorriu vitoriosa.
“Finalmente terei a oportunidade que esperava!” Pensou ela, saindo com o Major Nelson.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:47 pm

VI

O apartamento de Lisa não ficava muito longe e logo eles chegaram lá.
Eles entraram na sala e ela discretamente fechou a porta da frente com a chave.
O lugar era aconchegante, decorado de forma elegante e discreta, com um confortável sofá, onde ela mandou que ele se sentasse.
Ela ligou o toca discos e logo uma suave música começava a ecoar pelo ambiente.
O Major Nelson passou a sentir ligeiramente incomodado com o clima íntimo que se formava ali.
- Lisa, eu agradeço muito o convite, mas acho melhor voltar para casa e conversar com Jeannie! Ela deve estar preocupada!
- Acalme-se Tony! – ela o empurrou delicadamente de volta ao sofá, ao vê-lo quase se erguendo. – Tome ao menos uma bebida antes! Depois prometo que o deixo ir!
- Está bem! Obrigado!
- Só um instante! Acho que deixei a garrafa no armário da cozinha.
Ela se dirigiu até a cozinha e ao chegar lá, preparou um Martini, colocando a taça em cima da pia.
Em seguida, abriu sua bolsa, onde tinha uma cartela de fortes calmantes, que ela usava para dormir.
Ela pegou dois deles, abriu as cápsulas do remédio e colocou o pó na taça com a bebida, dando uma leve mexida.
- Aqui está, querido! – disse ela, voltando à sala e entregando a bebida para Tony.
- Obrigado! – ele tomou um pouco do conteúdo, ainda impaciente para ir embora.
- Você continua muito tenso, Tony! – disse ela, sentando-se ao seu lado no sofá.
- Eu sinto muito, Lisa. Acho que não sou uma boa companhia! É melhor mesmo que eu vá!
- Está bem! Mas termine logo seu drinque!
Ele pegou a taça e bebeu resto do conteúdo de uma vez, erguendo-se em seguida.
- Muito obrigado mesmo, por ser tão gentil! – ele ia se aproximando da porta.
- Espere um pouco, Tony!
- O que foi?
- Pode vir aqui um segundo? Tenho algo para mostrar a você!
- O quê?
- Venha comigo! É só um instante!
Ele a seguiu, mas parou na porta do quarto dela.
- Entre! – disse Lisa. – Não tem nada demais! Quero só te mostrar uma coisa.
Ele ficou um pouco sem jeito, mas acabou entrando.
Ela abriu a gaveta de seu criado-mudo e mostrou a ele uma foto dos dois, há anos antes.
Ele olhou para o retrato, curioso.
- Uau, você ainda tem essa foto?
- Sim, jamais poderia me desfazer dela. Foi uma época muito feliz!
- Sim, foi! Minha vida era muito mais tranquila, sem tantas complicações! – falou Tony.
- Eu era louca por você! Você foi o único homem que me fazia ver estrelas! – ela se aproximou dele, a boca muito próxima.
- Lisa, eu... – ele começou, mas ela lhe deu um beijo.
Tony ficou sem reação enquanto ela o beijava, colocando seus braços ao redor do pescoço dele.
Sentindo-se tentado, ele não resistiu e correspondeu o gesto, colocando as mãos nas costas dela.
- Não! Chega! – disse, ele se afastando. – Não posso fazer isso com Jeannie!
- Mas nós...
 - Vou embora... Oh! – ele sentiu uma vertigem e teve que se sentar na cama.
- Algum problema? – disse ela com cinismo.
- Sinto-me tonto!
- Oh, coitadinho! Por que não deita por um instante, para descansar?
- Não! Eu tenho que ir!
- Venha! Deite-se aqui! – Lisa o empurrou contra a cama e ele acabou deitando-se.
O Major Nelson sentia seu corpo muito pesado. A sensação de mal estar ia aumentando e um sono profundo o assolou, deixando-o sem sentidos.
- Ótimo! Agora já tenho você em minha cama, querido!

***
O Major Nelson acordou, sentindo uma leve dor de cabeça.
Sem abrir os olhos, ele se remexeu na cama, sentindo o corpo quente, encostado ao seu.
Ele sorriu, imaginando ser Jeannie. Não conseguia se lembrar de quando tinha voltado para casa e feito às pazes com ela, mas ficou contente.
Ele abriu lentamente os olhos para poder observá-la dormir, como ele sempre gostava de fazer, quando de repente se assustou.
Aquele não era seu quarto!
Abaixando a cabeça, ele notou que a cabeça apoiada em seu peito, não era da sua esposa e sim de Lisa.
“O que aconteceu?” Pensava ele, começando a entrar em pânico.
Assustado, ele se remexeu um pouco e percebeu que estava nu. E ela também!
- Não, não pode ter acontecido o que eu estou pensando! Deve ter alguma explicação para isso!
Ele se ergueu com cuidado, para não acordá-la e saiu da cama.
Completamente perdido, ele encontrou suas roupas espalhadas pelo chão, junto com as de Lisa.
Tony vestiu as suas e sentou na poltrona, próxima à cama, com a mão na testa, tentando se lembrar do que tinha feito.
Ele só conseguia se lembrar de ter ido ao quarto dela, visto uma foto antiga. Depois disso, tudo se apagou na sua mente. Será que ele tinha bebido mais? Será que desmaiou? Por mais que pensasse, não conseguia encontrar resposta para aquilo!
Ele olhou para a cama e viu Lisa começar a se mexer, acordando.
Ela olhou para ele sorrindo e sentou-se na cama, expondo seus seios despidos.
- Bom dia, amor! Dormiu bem? – ela perguntou de forma provocante.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:49 pm

VII

Ele olhou para ela, os olhos aflitos, ao lembrar-se do beijo. Sim! Eles tinham se beijado! E depois... Depois o quê? Não! Ele não queria nem pensar! E nem queria saber!
Antes que ela dissesse algo que ele não quisesse ouvir, Tony se levantou rapidamente da poltrona.
- E-eu preciso ir! – ele balbuciou abatido, saindo o mais depressa que podia dali.
Já em seu carro, ele dirigia depressa, querendo voltar para sua casa, para seu porto seguro.
Talvez fosse covardia dele, mas ele não podia lhe dar com aquilo nesse momento.
No fundo, ele desejava que tivesse sido só um pesadelo!
- Anthony! Você está bem? – Correu Jeannie para abraçá-lo, assim que ele entrou em sua casa. – Estava tão preocupada com você!
- E-eu... Desculpe-me, Jeannie! Eu não queria...
- Está tudo bem! Eu não quero mais brigar assim com você, amo!
- Nem eu, querida! – ele sorriu, dando um beijo carinhoso nela.
Jeannie, feliz, correspondeu imediatamente, abraçando-o mais forte.
De repente Jeannie passou a sentir um cheiro diferente na roupa dele e interrompeu o beijo.
- Anthony?
- O que houve?
- Que cheiro é esse?
- Cheiro? – desconfiado, ele se afastou dela, mas Jeannie voltou a se aproximar.
- Sim. Esse perfume. Não é seu. Parece perfume de mulher!
- Ora, Jeannie, você está imaginando coisas!
- Não estou, não! Estou sentindo bem! E além disso... – ela olhou minuciosamente para o marido. – Suas roupas estão bem amarrotadas! 
- Bem, elas amassaram por aí! Não há razão para você me olhar desse jeito desconfiado!
- Anthony, onde você passou a noite?
- Onde mais eu passaria? No apartamento de Roger!
- Não! Eu liguei para lá e ele disse que você não estava!
- Ora, Jeannie, quer parar com isso? Eu fiquei até tarde no Clube dos oficiais e depois fui para lá! Você já tinha ligado, quando eu cheguei! – blefou Tony, com medo de ser pego com mais perguntas.
- Está mesmo falando a verdade, amo?
- É claro! Não tem razão para você ficar assim!
- Está bem, querido! Desculpe-me! – ela ia beijá-lo, mas ele falou depressa:
- Preciso tomar um banho! Com licença! – ele saiu rapidamente e Jeannie sentou-se no sofá, pensativa.
Ela sentia que havia acontecido algo com seu marido. Tinha algo que ele estava escondendo dela.
Mas depois dessa última discussão, ela não queria mais atritos com Anthony, por uma desconfiança boba.
Era melhor esquecer tudo de vez e ficar em paz com seu marido.

*** 

- Jeannie! – Maggie gritou, ao abrir a porta de sua casa.
Jeannie se abaixou, abraçando a menina, contente. Mesmo tendo decidido que era melhor não receber mais a garotinha em sua casa, ela não podia deixar de vê-la. E iria sempre que pudesse na casa dela.
- Como está, querida? – Falou a gênia afagando a cabeça dela.
- Feliz por você estar aqui! Papai me disse que não íamos mais nos ver!
- Ah, querida, eu não poderia deixar de ver você!
- Maggie, quem é? – perguntou Mark, descendo as escadas.
- É a Jeannie, papai! – a menina respondeu.
Mark se adiantou até a porta, olhando para a gênia, surpreso.
- Jeannie?
A gênia se ergueu e olhou para o pai de Maggie.
Não pode deixar de achá-lo bonito, vestido todo de branco, bem a caráter de sua profissão. Ela lhe deu um sorriso e falou:
- Bom dia, senhor Jones! Eu tomei a liberdade de vir até sua casa, ver Maggie! Espero que não se importe!
- Oh, claro que não! Por favor, entre, sente-se! – ele apontou o sofá, na ampla sala de estar.
Jeannie observou pela primeira vez a casa por dentro. Era casa muito bem decorada, com móveis caros. Era evidente que ele era um homem de boa situação financeira e de muito bom gosto também.
- Obrigada! – ela sentou-se, com Maggie ainda grudada nela.
Mark sorriu e falou:
- Querida, peça a Lucy que traga um chá para a senhora Nelson, por favor!
- Ah, e se a Jeannie for embora, enquanto eu vou lá?
- Não se preocupe! Prometo que não sairei daqui! – disse Jeannie.
A menina balançou a cabeça e saiu correndo para a cozinha.
Mark sentou-se ao lado da gênia e comentou:
- Fiquei curioso: como descobriu nosso endereço?
- Maggie já tinha me dito algo e não foi difícil encontrá-los. Todos da vizinhança parecem conhecê-lo, senhor Jones.
Ele deu um sorriso e disse:
- É o que parece! Mesmo assim, não imaginei que quisesse voltar a nos ver. Ou melhor, ver minha filha!
- Eu não poderia deixar de vê-la!
- Mas eu sei que isso está causando aborrecimentos para a senhora. Sei que o Major Nelson não gostou de nos ver por lá! Escute: Se isso está criando muitos problemas, a senhora não precisa vir vê-la. 
- Não se preocupe, senhor Jones. Eu confesso que meu marido não gosta muito da ideia, mas não concordo com ele. Em todo caso, eu posso vir aqui para vê-la, ao invés de recebê-la, lá. Isto é, se o senhor não se importar!
- Claro que não me importo! Na verdade, estou muito feliz que tenha vindo! – ele a olhou profundamente e Jeannie abaixou o olhar, sentindo uma súbita vergonha.
Nesse momento Maggie retornou, quebrando a tensão.
- Ela já vai trazer, papai!
- Obrigado!
- Bem, hoje eu não posso demorar muito! Tenho que fazer compras e preciso ir visitar minha mãe!
- Ah, Jeanniee! – Maggie ficou desapontada.
- Querida, a senhora Nelson tem os compromissos dela. Já foi muita gentileza dela vir ver você!
Ele olhou mais uma vez para ela, deixando Jeannie incomodada.

*** 

- Tony? Ei? Acorde! Estou falando com você! – disse o Major Healey, ao ver seu amigo distraído.
- Desculpe, Roge, o que dizia?
- Estava falando de Susan, a nova secretária! Mas parece que você está em outro mundo! O que houve? Há mais de três semanas você parece mal! Continua brigando com Jeannie?
- Não, claro que não! Está tudo bem entre nós!
- Então porque está sempre assim? Com essa cara preocupada?!
- Não é nada!
- Tem certeza? Não tem a ver ainda com o que você me contou, do pai da tal menina que a Jeannie anda cuidando?
- Não, Roger! Jeannie já entendeu isso e não voltou a vê-los!
- E então?
- Lisa!
- Lisa? Não me diga que ela está atrás de você?
- Não é bem isso, é que... – Tony não conseguiu terminar a frase. Nem mesmo a Roger ele tinha coragem de contar o que houve.
- Tony, aconteceu algo entre vocês?
- Esqueça isso, Roger, não foi nada!
- Tem certeza?
- Tenho! – mentiu Tony.

*** 
Jeannie acabava de sair de mais uma reunião da AEO e resolvera passar na sala de seu marido, para ver como ele estava, quando ouviu uma conversa dele e do Major Healey:
- De qualquer forma, você tem que tomar cuidado com ela, Tony! Parece que Lisa está mesmo disposta a acabar com seu casamento e fazer com que vocês retomem o que tinham no passado!
- O que estão falando? – disse a gênia, entrando nervosa na sala. – Então você namorou aquela secretária metida?
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:50 pm

VIII

- Jeannie, não fique brava!
- Por que você não me disse nada? Será que pretende continuar o que vocês tiveram no passado?
O Major Nelson ia começar a falar, mas ao perceber que o Major Healey ainda estava na sala, fez um sinal com o olhar para que ele saísse.
- Hehe, com licença! – disse o Major Healey, meio sem jeito e saindo em seguida.
Assim que Roger fechou a porta, o Major Nelson comentou:
- Jeannie, deixe-me explicar: eu não tenho nada com ela! Realmente namoramos no passado, mas isso ficou para trás!
- Eu não acredito em você!
- Estou falando a verdade! Não precisa ficar com ciúmes!
- Sim, eu estou com ciúmes mesmo! Essa secretária metida não tira os olhos de você! 
- O pai da menina, o tal de Jones, também não tirava os olhos de você! Mas claro que isso você não notou!
- Eu não acho isso! Você só estava implicando com ele!
O Major Nelson se calou por um momento e disse, com a voz baixa:
- Não... Eu também estava com ciúmes de você com ele! Não aguentava a ideia de ver vocês dois juntos!
- Está falando sério?
- Sim! Não poderia suportar que alguém a tirasse de mim!
Jeannie ficou de boca aberta, impressionada com a declaração dele. Seu marido raramente admitia que tivesse medo de perdê-la.
Ela olhou por alguns segundos sem nada dizer ele aproveitou para beijá-la. 
Jeannie foi tomada de surpresa pelo gesto, mas logo correspondeu com igual vontade.
Tomados pela paixão, logo estavam se beijando com mais intensidade. Jeannie sentou-se em cima da mesa e Tony ficou entre as pernas dela, com as mãos deslizando pelas costas da gênia.
Eles estavam complemente alheios ao que acontecia ao seu redor e não perceberam a porta do escritório se abrindo e Lisa entrando.
A secretária ficou em choque com a cena.
- Boa tarde! – disse ela, com a voz áspera. 
O casal se afastou e Tony olhou para Lisa, um pouco tenso.
- Eu... Sinto muito! Acho que Jeannie e eu nos excedemos!
- Por que você está se desculpando com ela? – falou a gênia, indignada.
- Jeannie, esse é um local de trabalho! Não deveríamos ter feito isso!
Jeannie deu um sorrisinho maldoso.
- Está certo! – ela beijou seu marido, para provocar Lisa. – Nesse caso, eu espero você em casa, para continuarmos! Até logo!
Ela deu mais um sorrisinho antes de sair da sala e Lisa ficou furiosa.
A secretária encostou a porta da sala e olhou para Tony.
- Parece que você anda muito bem com ela!
- Sim.
- E ela não continua ciumenta?
- Um pouco! Mas não falemos disso, é melhor eu ir levar esses relatórios ao general, se você me der licença...
- Não! Eu não dou licença! Desde aquele dia no meu apartamento, você tem fugido de mim. Do que tem medo, Tony?
- Eu não estou com medo, nem fugindo de você! Eu simplesmente...
- Está sim, está com medo de encarar o que aconteceu entre nós! De que passou a noite comigo!
Ele sentou-se em sua cadeira, perturbado.
- Não deve ter acontecido nada naquela noite! Não sei como fui parar em sua cama, não me lembro de nada, mas não pode ter acontecido!
- Eu sinto muito se isso o aborrece, mas aconteceu sim! Nós fizemos amor! Sinto muito se você não se lembra.
- Não pode ser...
- Mas foi! Você estava muito tenso, muito mal por causa de sua esposa e eu estava carente. Depois que mostrei a você aquela foto antiga de nós dois, passamos a recordar o passado. Então começamos a beber, ficarmos alegres e acabamos juntos.
O Major Nelson não sabia o que dizer. Cada frase dela parecia uma pedra, que caia em sua cabeça.
Ele não estava aguentando aquilo!
- Eu... Não posso ter feito isso! Sou um homem casado! Amo minha esposa!
- Escute, vendo a maneira que você se comportou depois do que houve entre nós, eu tinha decido esquecer tudo isso e deixá-lo em paz. Mas depois que eu passei a suspeitar de algo, não posso mais ignorar o que fizemos!
- Suspeitar do quê? – ele disse com a trêmula.
- Eu acho que estou grávida!
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:51 pm

IX


Tony se ergueu de sua cadeira, completamente estupefato.
- O quê?!
- Isso mesmo! A nossa noite juntos deve ter gerado um fruto!
- Isso é um absurdo! Não pode ser verdade!
- Escute Major Nelson: você fingir que nada aconteceu, não vai fazer desaparecer essa criança! Hoje mesmo irei ao médico para confirmar, mas já tenho quase certeza. E é seu filho! Não estive com mais ninguém, desde que vim para a Praia dos Cocos. Em todo caso, podemos fazer um exame de sangue, quando a criança nascer!
O Major Nelson sentia-se completamente abalado. Ele se absorveu em seus pensamentos e nem notou quando Lisa saíra da sala.
Aquilo não podia estar acontecendo! Não podia ser real! Era um pesadelo!
Percebendo que não conseguiria mais trabalhar, ele saiu de seu escritório, dirigindo a esmo pelas ruas da Praia dos Cocos, até encontrar um bar e ir até ele.
Enquanto bebia, ele pensava nas palavras de Lisa, se convencendo cada vez mais, que ela lhe dissera a verdade.
Ele acordou nu, na cama dela, com ela no mesmo estado, ao seu lado.
Ele tentou se enganar, mas aquilo era uma evidência óbvia de que tivera intimidades com ela. Ele poderia não se lembrar, mas a história dela fazia sentido.
Eles beberam e acabaram ficando juntos. E agora... Agora ela estava grávida dele.
Ele também ponderou por um tempo sobre isso! Se ela estava mesmo grávida, sem dúvida o filho seria dele.
Lisa não era uma mulher leviana, pelo menos não, depois que se mudou para a Praia dos Cocos.
Roger havia lhe dito que a moça não aceitava convites de nenhum dos oficiais da base. Era sempre muito reservada e quase nunca recebia amigos em sua casa. E Roger sabia da vida de todas as mulheres da base.
O Major Healey sempre lhe dizia que o único interesse de Lisa, era ele, Tony.
Além disso, ela foi muito veemente, quando se ofereceu para fazer um exame de sangue quando o bebê nascesse.
Não havia dúvidas. O filho era dele!
Mas o que ele faria? Não poderia deixar de assumir essa criança, afinal ele era um homem! Mas sabia que isso poderia arruinar para sempre seu casamento.
Jeannie jamais o perdoaria e ele a perderia para sempre!
“O que eu farei?” Pensava, cheio de angústia.

*** 
- Bem, eu já vou! – disse a gênia para Maggie e seu pai, no final da tarde.
- Ah, Jeannie! Você mal chegou! – reclamou Maggie.
- Eu só vim para dar um beijinho em você, querida! Meu marido logo vai chegar em casa e quero que ele me encontre lá!
- Vamos, Maggie, deixe-a a ir! Eu já cheguei do trabalho e depois que tomar um banho, vamos brincar juntos, certo? – disse Mark.
- Está bem, papai! 
Jeannie se despediu dos dois e já estava na porta, quando começou a chover.
Mark se aproximou dela e falou:
- Nossa essa chuva veio de repente! Mas não se preocupe, Jeannie, eu a levarei para sua casa!
- Não é necessário, senhor Jones! A gênia planejava se afastar um pouco da casa e piscar-se para sua como costumava fazer.
- Não posso deixá-la ir dessa maneira, Jeannie! – o homem falou, ignorando os poderes de gênia dela.
- Mas...
- Não aceito não como resposta! Vamos? – ela fez um sim relutante com a cabeça, mas acabou aceitando e Mark olhou para filha: - Comporte-se Maggie, eu volto logo!
Ele e Jeannie saíram de carro.

***
Tony estacionou seu carro em frente a sua casa. Ele saiu do veículo um pouco cambaleante. Tinha bebido mais do que deveria no bar, mas ainda assim suas angustias e dores não tinham sido suficientemente anestesiadas.
Ele caminhava até a porta de sua residência, quando notou um carro parar atrás do seu.
Pouco depois, saía do carro sua esposa Jeannie e o tal cara, pai da menina.
Tony sentiu seu sangue ferver e foi até os dois.
- O que significa isso? – ele falou com a voz alterada.
- Anthony, calma! Não foi nada demais! O senhor Jones só veio me trazer de carro!
- Então vocês andam se encontrando, quando eu não estou em casa?
- Não! – disse Jeannie, assustada.
- Não é nada disso, senhor! Jeannie só foi fazer uma breve visita para minha filha.
A tensão era tamanha, que nenhum dos três parecia se importar muito com a chuva que caía.
- Não minta! – disse Tony, segurando o paletó de Jones, com ambas as mãos. – Eu sei que você está atrás de Jeannie.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:52 pm

X

- Senhor Nelson, o senhor está bêbado! Não sabe o que diz!
- Anthony, por favor, pare! Solte-o! – ela tentou entrar no meio deles e Tony soltou Mark, entrando nervoso dentro de casa.
Jeannie olhou penalizada para Mark.
- Eu sinto muito, senhor Jones!
- Não se preocupe, Jeannie! Você não precisa se desculpar! Mas é melhor que entre logo. Está toda molhada!
- Está bem! 
Ela correu para dentro de casa, enquanto Mark entrava em seu carro e ia embora.

*** 
Jeannie entrou em sua casa, piscando em si, uma roupa seca. 
Ela viu seu marido andando de um lado para o outro, muito nervoso.
Piscando novamente, ela vestiu nele um roupão, substituindo seu uniforme encharcado.
- Você não deveria ter feito aquilo, Anthony! O senhor Jones não fez nada!
- Ah, agora você o defende também! Claro, vocês devem estar juntos!
- Isso não é verdade!
- Vai negar que ele veio trazê-la, sabe-se lá de onde!
- Eu fui visitar Maggie! Sentia falta dela!
- Ah, claro! – ele falou com sarcasmo.
- É verdade! E você? Por que veio mais cedo? E por que está desse jeito! Você bebeu muito!
- Não foi nada! Só estava um pouco cansado!
- O que está acontecendo, Anthony? O que está escondendo? – perguntou ela, desconfiada da atitude dele.
- Não estou escondendo nada! – disse ele, nervoso. – E você? Por que me desobedeceu e foi ver aquela menina? Você não tem nada que se meter com eles! Eu não admito que volte a vê-los de novo, entendeu? – disse ele e foi para o quarto fechando a porta.
Jeannie estava completamente chocada com o comportamento de seu marido! Ele jamais havia falado assim com ela. Talvez fosse pela bebida e o forte ciúme. Mas algo lhe dizia que não era só isso, estava acontecendo algo. E ela precisava descobrir o que era.

*** 

Passaram-se três dias e tudo tinha voltado a se acalmar na casa dos Nelson.
Depois que havia passado o efeito da bebida, Tony tinha pedido desculpas para a gênia e ela prometera que não voltaria a ver Maggie.
Ela ainda sentia vontade de visitar a criança, pela qual já estava muito apegada,  mas Jeannie não podia arriscar mais seu casamento por isso.
Porém, mesmo tendo feito as pazes, a gênia notou que seu marido andava angustiado.
Várias vezes ela o pegava distraído, com os pensamentos distantes, mesmo se estivesse trabalhado. 
Ela lhe perguntou novamente se algo estava acontecendo, mas ele desconversara.
Enquanto pensava em seu marido o telefone tocou. Jeannie foi atender. Era Mark.
- Senhor Jones? – a gênia estava surpresa.
- Jeannie eu sei que deve estar estranhando a minha ligação. Depois daquele incidente com o seu marido, eu tinha decido deixá-la em paz, mas algo aconteceu e...
- Aconteceu algo com Maggie? – perguntou a gênia, preocupada.
- Sim, ela está com uma infecção na garganta. Eu já a mediquei, mas se a infecção não ceder, terá que ser operada. A febre dela está me preocupando e ela não para de chamar por você!
- Oh, não!
- Eu sei que estou pedindo demais, mas, por favor, venha ao menos uma vez visitá-la. Sinto que a doença dela está piorando, por um aspecto psicológico!
- Não se preocupe, senhor Jones! Agora mesmo irei vê-la!

*** 
- Jeannie... você veio! – disse Maggie, a voz fraca e abatida.
Jeannie sentiu um aperto no coração, ao ver a menina assim. Tinha a aparência frágil e cansada.
Estava sonolenta, deitada em sua cama, abraçada a boneca que a gênia lhe dera.
- Sim, eu estou aqui com você, querida. – falou Jeannie suavemente, - Você vai ficar boa logo!
Jeannie ponderou por um momento se deveria ou não piscar, para fazer a criança ficar curada.
Mas ela não entendia direito o que a menina tinha. Se piscasse, poderia acabar piorando, ao invés de melhorar.
Suspirando, ela achou mais seguro que a menina se recuperasse do modo normal.
A gênia alisou o rostinho dela, vendo que Maggie tinha adormecido.
Ela deu um leve beijo na garotinha e saiu do quarto.
Mark estava parado na porta, do lado de fora.
- Ela vai ficar bem, senhor Jones!
- Sim, agora que você veio aqui eu sei que ficará! Mesmo sendo médico, não sabe como me angustia e me sinto impotente ao vê-la fraquinha assim!
- É natural, ela é sua filha!
- Sim. E só de pensar que eu poderia perdê-la, como perdi a mãe dela, eu me desespero! Não poderia mais viver se algo a levasse de mim!
- Isso não vai acontecer! – Jeannie segurou nas mãos dele, num gesto de conforto. – Ela vai ficar bem! Eu verei sempre vê-la e cuidarei dela, até que melhore!
- Você é um anjo! Não sabe como sou grato por estar aqui! – ele apertou levemente as mãos dela, dando um sorriso sincero.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:53 pm

XI

Tony amassara pela terceira vez um de seus relatórios, que estava errado. Não conseguia se concentrar em seu trabalho.
Ainda estava completamente perdido, sem saber o que o fazer. Sentia vontade de sumir, tamanho era o seu desespero.
Passaram três dias e Lisa não o viera procurar desde então, mas ele sabia que mais cedo ou mais tarde ela viria e ele teria que encarar seu problema. 
Tony ergueu-se de sua cadeira, quando a porta de seu escritório se abriu e Lisa entrou.
- Olá, Tony!
- E então? – perguntou ele, sem rodeios. – Você confirmou suas suspeitas? 
- Sim. – ela entregou a ele um papel que tinha em mãos. – Esse é exame, atestando minha gravidez.
O Major Nelson teve que se sentar para não cair. Mesmo sabendo que isso era certo, ainda tinha esperança de que ela não estivesse realmente grávida.
Ele olhou para o papel, mas não conseguia concentrar no que estava escrito, portando o devolveu para sua dona.
Tudo o que conseguia pensar agora é o que seria de sua vida, de agora em diante.
- Eu sei das complicações que ocorrerão por isso. Mas espero que cumpra o seu dever de pai.
- Eu... Eu assumirei a criança! – disse ele, com a voz fraca. – Mas não poderei deixar Jeannie por isso!
- Quer dizer que deixará meu filho como um bastardo?
- Não! Mas... – Tony não tinha forças para pensar direito no que fazer.
- Espero que você tome uma atitude digna de um homem, Major Nelson!
- Eu já disse que assumirei a criança, Lisa! – falou ele com firmeza, pela primeira vez. – Mas não vou me casar com você. Eu amo minha esposa.
- E ela já sabe da nossa situação?
- Isso não importa para você!
- É claro que importa! Mas vejo que você precisa de um tempo para assimilar tudo. Vou deixá-lo sozinho. Com licença!
Lisa saiu da sala e Tony colocou a mão na testa, tomado pela angustia.

*** 
Era uma manhã de sexta-feira. O Major Nelson tinha acabado de sair para trabalhar e Jeannie passou a limpar a casa.
Estava muito preocupada com o seu marido. Nos últimos dois dias ele parecia mais perturbado que nunca e totalmente alheio ao que acontecia ao seu redor.
Ela fez de tudo para arrancar a verdade dele, mas tinha sido inútil.
Enquanto cogitava a hipótese de força o Major Healey a lhe dizer o que estava acontecendo, a campainha tocou.
A gênia ficou surpresa ao ver que era a tal secretária que ela não gostava. O que aquela mulher viera fazer em sua casa.
- Olá! – disse a moça. – Será que posso entrar para conversar com você? É importante!
- Sim, entre! – Jeannie a conduziu até o sofá e fez com que ela se sentasse. 
Algo lhe dizia que o que a mulher tinha para lhe dizer era realmente importante.
- Bem, eu não sei se seu marido já lhe contou toda a história.
- Eu não sei do que está falando!Que história?
- Como eu imaginava, ele não teve coragem de contar a você, mas você precisa saber!
- O que quer me contar? Fale de uma vez!
- Eu estou grávida! Grávida de seu marido!
- O quê? Como pode dizer isso? Está louca?
- Não! É verdade! Seu marido e eu passamos uma noite juntos! Foi quase um acidente, estávamos bêbados! Mas eu acabei ficando grávida!
- Isso não pode ser possível! Anthony jamais faria algo assim comigo!
- Não estou mentindo! Você mesma deve se lembrar que uma noite, há algum tempo atrás, seu marido dormiu fora de casa.
- Sim, mas ele dormiu casa do Major Healey!
- Não! Ele dormiu comigo, em meu apartamento.
- Não pode ser...
Jeannie não queria acreditar, mas tudo fazia sentido. A noite fora, o perfume de mulher nele, as roupas amassadas. Os sinais estavam todos ali, mas naquele dia, ela não queria acreditar. Agora ela não podia mais fingir que não tinha acontecido.
- Eu contei a Tony sobre minhas suspeitas de gravidez, há alguns dias. – Falou Lisa. – E dois dias atrás mostrei a ele o exame confirmando. Estou mesmo esperando um filho dele!
Claro, por isso ele andava tão angustiado! E nem sequer tivera a coragem de contar toda a verdade pra ela.
Era que ele estava esperando a criança nascer, para finalmente contar?
Jeannie não conseguia suportar mais, sentia-se completamente abalada.
Ela olhou para Lisa e pediu:
- Por favor, vá embora! Quero ficar sozinha!
- Está bem! – Lisa se ergueu, indo até a porta. – Eu já disse tudo o que você precisava saber! Só espero que você tenha consciência e não deixe meu filho sem pai! – ela abriu a porta e se retirou.
Jeannie permaneceu imóvel, desconsolada.

*** 
Era um pouco mais de sete horas da noite, quando o Major Nelson entrou em sua casa.
Ele largou seu quepe num canto e encontrou sua esposa no sofá, com uma expressão séria e abatida.
Ele se aproximou dela, preocupado e perguntou:
- Querida, o que houve? 
- Por que não me contou a verdade, Anthony? Por que não me disse que Lisa espera um filho seu?
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:54 pm

XII

O Major Nelson arregalou os olhos, surpreso.
- Quem contou isso para você? Lisa veio aqui?
- Isso não importa! Você me enganou e agora vai ter um filho com outra!
- Jeannie, por favor, me escute! Eu não sei como isso aconteceu! EU não me lembro! Acho que bebi demais e...
- Você dormiu com outra! Escondeu de mim, a verdade! E ainda vai ter um filho!
- Jeannie, eu... Sinto muito!
- Eu já decidi, Anthony! Vou embora! – ela se ergueu e ele foi até ela desesperado.
- Não! Jeannie, por favor! Eu faço o que você quiser, querida, mas não me deixe! – ele tentou abraçá-la, mas ela se esquivou.
- Não podemos continuar juntos! Eu não posso perdoar você por isso! Você me acusou tantas vezes de ter algo com o senhor Jones, mas era você que me traía!
- Jeannie! Eu amo você! Nunca amei, nem amarei outra. Eu sei que errei, mas foi um acidente, eu estava...
- Não foi um acidente! Você foi para o apartamento dela, dormiu com ela! E ainda terá um filho! Deve estar feliz!
- Não! Eu pretendo assumir o que eu fiz, mas...
- Sim! Você tem que fazer isso! Assuma seu filho, case-se com Lisa! Eu lhe darei o divorcio! 
- Eu não vou me divorciar de você!
- Mas eu vou!
- Jeannie!
- Sabe, em outras circunstâncias eu teria ficado furiosa e transformado você em um inseto. Mas estou tão decepcionada, Anthony... – ela não conteve as lágrimas, mesmo tendo prometido a si mesma que não ia chorar. – Seja feliz com ela!
- Jeannie, não! Querida, por favor!
Ele implorou, mas Jeannie piscou e uma mala apareceu na mão dela.
Ela piscou novamente e na outra mão pareceu sua garrafa, que ela guardou em uma maletinha própria.
- Adeus, Anthony! – ela piscou desaparecendo.
- Jeannie! Volte! Precisamos conversar! Por favor, querida, não me deixe!
O Major Nelson não podia estar mais arrasado!

*** 
- Jeannie? – Mark abriu a porta, surpreso.
- Olá! 
A gênia olhou para ele. Ele parecia muito abatido e angustiado, vestia apenas um roupão e Jeannie percebeu que talvez fosse um pouco tarde para visitar Maggie.
- É uma surpresa vê-la aqui! Mas parece que foi providencial a sua vinda!
- Eu sinto muito aparecer a essa hora, mas terei que partir e queria saber como estava Maggie, antes de ir!
Foi então que Mark notou que ela estava com uma mala e mesmo confuso, fez com que ela entrasse e sentasse.
- Jeannie, Maggie piorou! Será operada amanhã mesmo! Ela está internada agora! Eu só vim aqui tomar um banho e logo voltarei ao hospital!
- Não pode ser! É grave?
- Um pouco! A febre dela não quer ceder e ficou em uma temperatura perigosa. Eu não consigo entender como isso pode ter se complicado dessa maneira. Eu mesmo a examinei várias vezes.
- Eu sinto tanto, senhor Jones!
- Eu não devia preocupá-la com isso, Jeannie! – ele percebeu uma coisa e logo se corrigiu. – Desculpe por chamá-la pelo primeiro nome! Um pouco atrevido de minha parte.
- Pode me chamar assim, senhor Jones! Afinal, eu não sou mais a senhora Nelson!
- O quê?
- Isso mesmo! Estou me separando do Major Nelson!
- Ah, não me diga que é por nossa causa?
- Não, senhor Jones! É por um assunto muito mais grave, que prefiro não comentar.
- Claro, desculpe a minha indiscrição! 
- Não se preocupe com isso!
- Jeannie, eu sei que estou pedindo demais novamente, mas já que se separou de seu marido, eu queria lhe pedir um grande favor!
- Um favor?
- Sim, é um pedido de um pai muito preocupado!
- Diga senhor Jones.
- Fique aqui em casa, até que Maggie se recupere! Ela precisa de você, sinto que minha presença não será suficiente!
- Mas...
- Eu prepararei um quarto para você! E se você achar melhor, eu posso até sair de casa por uns tempos, para que não aja boatos. Mas, por favor, não a deixe nesse momento! Ela a vê como a mãe dela e no estado em que está, não terá forças para assimilar sua partida. Por favor!
- Não precisa dizer mais nada, senhor Jones! Ficarei com Maggie no hospital e aqui em sua casa, até que ela fica totalmente bem! E o senhor não precisa sair de sua casa. Não me importo com comentários de outras pessoas. A única que importa é Maggie.
Mark segurou nas mãos de Jeannie, olhando-a com a mais profunda gratidão!
- Muito obrigado, Jeannie!
- Não precisa me agradecer, senhor Jones.
- será que posso lhe pedir mais uma coisa?
- O quê?
- Bem, já que passei a chamá-la de Jeannie, poderia me tratar apenas por Mark?
- Está bem, Mark!
Ambos deram um sorriso.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:56 pm

XIII 

- Não pode ser sério isso que está me dizendo, Tony!
- É a mais pura e cruel verdade, Roger! Eu perdi Jeannie para sempre! Ela jamais vai me perdoar! – Tony disse, muito triste.
- Ah, Tony! Talvez exista uma maneira de resolver tudo isso! Você e Jeannie poderiam cuidar da criança e...
- Está doido, Roger? Acho que Jeannie aceitaria isso? Duvido que Lisa permitisse algo assim também!
- E o pretende fazer?
- Eu não sei! Acho que terei que me casar com Lisa!
- O quê?
- Isso mesmo! Preciso que meu filho cresça em um lar, que tenha meu nome! 
- Acho que vai conseguir esquecer Jeannie e amar Lisa?
- E isso importa? Eu já perdi Jeannie mesmo! Tanto faz o resto! A única coisa que ainda importa é a criança!
O Major Healey olhou penalizado para o amigo, nunca desde que o conhecera tinha visto ele tão arrasado.

*** 
- Pronto, querida, já está de volta ao seu lar! – anunciou Mark, trazendo a filha nos braços!
Maggie sorria, olhando para Jeannie, que está logo atrás.
A gênia passara todo o tempo no hospital, cuidando de Maggie.
Ela tinha conseguido usar seus poderes de gênia e acabar com a febre da menina, sem que ninguém desconfiasse. E a menina pode ser operada com sucesso.
Jones atribuiu a significativa melhora da filha, simplesmente ao fato da gênia estar ao lado dela.
Ele subiu as escadas e depositou Margaret em sua cama.
- Papai, eu não quero ficar aqui! Estou cansada de ficar deitada!
- Você ainda não está totalmente recuperada, filha! Precisa descansar um pouquinho mais!
- Sim, Maggie, seu pai tem razão! – disse Jeannie. – Além disso, nós brincamos muito no hospital, até que você recebesse alta. Aposto que se ficar quietinha e fechar os olhos, logo vai dormir!
- Está bem! Mas você pode contar uma história pra mim, Jeannie?
- Claro que sim!
Mark sorriu ao ver Jeannie contar uma história pouco tradicional sobre gênios e seus poderes.
Ele sentou se num canto do quarto da filha e aproveitou que ela estava distraída contando a história, para observá-la melhor.
Agora que sua preocupação acabou, ele podia se concentrar em outras coisas.
Ele observou cada detalhe da bela mulher que tinha em sua frente.
Longos cabelos loiros, olhos de um azul expressivo e ao mesmo tempo misterioso, lábios bem desenhados e um corpo que faria qualquer homem normal perder a cabeça.
Além disso, tinha uma voz harmoniosa, era gentil, doce, dedicada.
Nesse momento Mark percebeu que tinha se apaixonado por ela. E não podia ser diferente, já que ela tinha sido um anjo em sua vida.
“Eu não sei como o Major Nelson pode deixa-la escapar! Mas já que ela entrou na minha vida, farei o possível para que fique para sempre!”

*** 
- Você deve estar exausta, por todos esses dias que passou no hospital! – disse Mark, enquanto ambos tomavam um café na sala, meia hora depois.
- Não! Eu estou bem! Ficar cuidando de Maggie me fez esquecer os meus problemas!
- Eu sinto de verdade pelo seu casamento, Jeannie! Deve ter sido muito difícil para você!
- Sim, muito! Mas eu não quero falar disso, está bem?
- Como você quiser! – ele sorriu para ela.

*** 
- Devemos levar algumas frutas! Maggie precisa se alimentar bem! – disse Jeannie, enquanto Mark empurrava um carrinho de compras no supermercado.
Jones inventara uma desculpa qualquer e pedira a Jeannie que viesse ao supermercado fazer compras com ele.
Geralmente ele designava essa tarefa a sua empregada, mas queria passar todo o tempo possível com Jeannie. Tinha que conquistá-la.
- Sim, você tem razão, Jeannie! Você é maravilhosa! – ele a olhou daquela maneira que sempre a deixava constrangida e ela decidiu mudar rapidamente de assunto.
- É melhor não demorarmos muito! Não gosto de ficar longe de Maggie!
- Não se preocupe, Lucy está cuidando muito bem dela, nada de mal vai acontecer! – disse ele, enquanto ambos procuravam os produtos de uma lista que ele trouxera.

*** 
Roger Healey tinha aproveitado as horas de folga que ganhara naquela manhã, para fazer compras.
Tinha um encontro à noite e queria impressionar a garota da melhor maneira possível.
Ele procurava por alguns enlatados, quando se surpreendeu ao ver Jeannie com um homem.
Se escondendo, ele se aproximou dos dois e ouviu a gênia chamá-lo intimamente de Mark, enquanto sorria pra ele.
- Oh, Tony precisa saber disso! – falou ele para si.

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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:57 pm

XIV

- O quê? Jeannie está com Mark? – o Major Nelson ergueu-se de sua cadeira, furioso!
- Bem, foi assim que ela o chamou! – disse Roger. – Você sabe quem é ele?
- Esse homem é o pai da tal menina que Jeannie estava cuidando! – Tony começou andar por seu escritório, nervoso: - Não posso acreditar que ela está com ele agora!
- É realmente difícil acreditar!
- Roger, será que você pode me fazer um favor?
- Qual?
- Descubra o endereço desse tal de Mark Jones. Jeannie me disse que ele é médico. Eu acredito que ele deva morar um pouco mais a leste da daqui! Não deve ser difícil encontrar sua casa. Eu mesmo faria isso, mas eu preciso ir ver o doutor Bellows! Mas quando eu conseguir me livrar dele, quero ir imediatamente lá!
- Tony, o que pretende fazer?
- Ver Jeannie e também, ter uma conversinha com esse sujeito!

***
Já se aproximava das sete da noite, quando Mark entrou em sua casa, depois de ter passado à tarde em seu consultório.
Ele sorriu ao encontrar Jeannie na sala, lendo uma revista.
- Boa noite! – ele a cumprimentou.
- Boa noite, Mark! Como foi o trabalho?
- Bem tranquilo! Nenhuma emergência! Além disso, pude trabalhar sossegado, sabendo que você está aqui em casa, com Maggie!
- Que bom!
- E onde está ela? 
- Está no quarto, brincando com as suas bonecas!
- Você parece um pouco entediada!
- Não. Eu me distraí o dia todo com Maggie e também ajudando Lucy nas tarefas de casa!
- Ah, Jeannie, você não precisa fazer isso! Não precisa ficar cuidando de casa! Já é muito que fique com Maggie!
- Eu fico feliz em fazer isso, Mark! E como disse antes, eu me esqueço dos meus próprios problemas!
Jones ia falar algo, mas a campainha tocou.
Ele mesmo se adiantou e foi abrir a porta, onde um nervoso Major Nelson passou como uma bala, para dentro de casa:
- Então é verdade que estão juntos? – ele perguntou com a voz enraivecida.
- Anthony! O que faz aqui?
- Você está com ele? Está tendo um caso com esse cara?
- Ei, como entra desse jeito na minha casa, fazendo acusações? Não tem esse direito! – disse Mark, nervoso.
Tony sentiu seu sangue ferver. Era como se todo o desespero, toda a sua angustia e tristeza que sentira nos últimos tempos, viessem à tona em forma de fúria.
Ele se voltou para Mark, deferindo-lhe um soco.
- Você não vai tirá-la de mim! – gritou Tony.
Jones, tomado de surpresa pelo gesto, cambaleou quase caindo no chão pelo impacto.
Ele ergueu-se, pronto para revidar, mas Jeannie se colocou no meio dos dois.
- Já chega! Como pode fazer isso, Anthony?
- Jeannie, vamos para casa, por favor!
- Como pode me pedir isso, depois de todo o que houve? Vá embora! O mais rápido possível lhe darei o divórcio, para que você se case com a mãe de seu filho!
- Jeannie...
Ela o empurrou para fora, fechando a porta.
Sem poder se conter, ela levou as mãos ao rosto, começando a chorar.
- Jeannie, não fique assim! – disse Mark, abraçando a gênia.

*** 
No outro dia, Jeannie recolhia os brinquedos de Margaret, que estavam espalhados pela sala.
A menina, ainda em recuperação da cirurgia, tomara seus remédios e dormiu profundamente no sofá. Vendo que não tinha ninguém por perto, Jeannie a piscou para a cama dela.
Ela tentava o mínimo possível usar sua magia, para não ser descoberta. Mas às vezes era muito difícil controlar seus instintos de gênia.
A gênia já estava subindo as escadas para levar os brinquedos para o quarto da menina, quando ouviu umas batidas na porta. Ela deixou os brinquedos num canto e foi atender a porta.
- Anthony! O que faz aqui novamente?
- Jeannie, por favor, vamos conversar!
- Não acho que seja uma boa ideia!
- Por favor! – Havia algo na aparência abatida dele, que fez Jeannie sentir pena.
Ela deu um grande suspiro e deixou que ele entrasse.
- Sente-se! Por sorte, Lucy saiu para fazer compras, Mark está no consultório e Maggie dormindo. Assim não teremos mais discussões!
- Por que está com ele, Jeannie?
- Eu não estou com ele! Vim por Maggie, que estava muito doente! Precisava cuidar dela!
- Você gosta tanto assim dessa menina?
- Eu me apeguei a ela, porque, como eu, ela levava uma vida muito solitária!
- Sim, eu sei que deixei você muito tempo, sozinha! Não sabe como estou arrependido! Sempre que entro em nossa casa e não a encontro por lá, sinto-me completamente vazio!
- Eu sinto muito! Mas agora é tarde para arrependimentos!
- Você não me ama mais?
- Isso é irrelevante! Meu amor não pode mudar as coisas! Eu o amo, sim, não posso negar, mas jamais poderei voltar para você!
- Jeannie, querida! Eu não posso viver sem você!
- Você vai ter um filho, Anthony! Case-se com a mãe dele e seja feliz! Não há outra forma de resolver as coisas! Seja feliz com ela e se esqueça de mim!
- Eu não posso! Ah, como eu queria que fosse você a mãe dessa criança! Eu teria sido o homem mais feliz do mundo! Mas...
- Mas eu não sou! Dê o melhor de você para essa criança. É a sua obrigação! 
Ele olhou nos olhos dela por um instante e se ergueu.
Jeannie percebeu no semblante dele a expressão de derrota e resignação.
- Você tem razão! Eu... Não vou mais importuná-la, Jeannie! Adeus!
Ele saiu rapidamente da casa, sem olhar para trás.
Jeannie sentou-se no sofá, com uma tristeza profunda em seu ser!
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 10:58 pm

XV

O Major Nelson um sanduíche, sentado na poltrona, tentando se concentrar no noticiário da TV.
Seu amigo tinha acabado de sair, o convidando para jantar fora, mas Tony recusou.
Não está com humor para sair de casa, queria ficar sozinho!
Em pouco tempo, sua vida mudara completamente! Estava perdido e sozinho!
Na base, já havia certas especulações de algum envolvimento dele com Lisa.
O Major Nelson desconfiava que ela mesma, estava criando fofocas, para que soubesse do que estava acontecendo.
Amanda Bellows viera pessoalmente interrogá-lo sobre isso e questionar sobre o sumiço de Jeannie, que não mais compareceu nas reuniões da AEO.
Tony disse que a história com Lisa não passava de fofocas sujas e que Jeannie estava com a mãe, que ficara doente.
Ele sabia que a verdade logo viria à tona, mas enquanto as coisas não estivessem resolvidas, ele preferia manter segredo.
Ele já estava conformado em se divorciar de Jeannie e se casar com Lisa.
Sabia que era o certo a fazer! Não iria deixar que Jeannie sofresse mais por culpa dele e nem deixar seu filho crescer sem um lar de verdade.
Ele sabia que receberia severas críticas pelo que fez com sua esposa, mas esperava que com o tempo tudo se acalmasse.
Esperava também, do fundo do coração que Jeannie fosse feliz, com sua nova família. Mesmo que isso o deixasse de coração partido.

*** 
- Você está muito quieta! Aconteceu mais coisa? – perguntou Mark, vendo-a calada durante o jantar.
- Não, eu estou bem!
- Você parece triste, Jeannie! – observou Maggie.
Ela forçou um sorriso e brincou:
- Ora, você dois! Eu estou muito bem! Só me distraí por um momento!
- É mesmo? – falou Maggie.
- Claro! E a senhorita, já terminou o seu jantar! Está na hora subir, escovar os dentes e se preparar para dormir!
- Ah, mas ainda é cedo! – reclamou a pequena.
- Faça o que Jeannie está dizendo, Maggie! – ele se voltou para a empregada, que recolhia os pratos.
- Lucy, por favor, suba com Maggie! Eu preciso conversar com Jeannie!
- Sim, senhor!
Ambas subiram e Mark se voltou para Jeannie.
- Você ainda está sofrendo por causa do seu marido, não é?
- Eu peço que me desculpe, mas não quero falar disso!
- Jeannie, eu entendo que você se incomode em falar comigo sobre isso, mas não é bom que guarde todo o seu sofrimento para si. Você pode contar comigo, para dividir seus problemas! Eu ficarei feliz em fazer qualquer coisa por você!
- Não há nada para se fazer, Mark! Meu casamento já se acabou para sempre!
- Nesse caso, talvez o melhor seja você tentar esquecer! Deixe-me ajudá-la a esquecê-lo!
- Ajudar-me a esquecê-lo?
- Sim! Jeannie, eu sei que talvez essa não seja a melhor hora para lhe dizer isso, mas estou apaixonado por você!
- O quê?!
Ela se ergueu da mesa e ele fez o mesmo, aproximando-se dela.
- Sim. Eu não sei bem como aconteceu, mas quando me dei conta, já estava assim. Você é sempre tão boa com minha filha, tão carinhosa e é tão linda!
- Ah, eu não queria que você se iludisse comigo, Mark. Eu ainda amo meu marido! E não quero que você sofra!
- Não se preocupe comigo! Só te peço que me dê uma chance de tentar fazer você se esquecer do Major Nelson! Pelo mesmo permita que eu tente!
Jeannie ficou algum tempo parada e resolveu subir rapidamente as escadas.
A gênia parou na porta do quarto de Maggie e a viu já na cama, enquanto Lucy lhe contava uma história.
Ela olhou para aquela menina e a imaginou como sendo sua filha, de verdade.
Seria lindo ficar para sempre com ela. Quanto ao seu pai, Jeannie não sabia ao certo.
Ela sentia muito carinho e admiração por ele, mas isso era tudo!
Ele também era um homem muito bonito, com cabelos castanhos escuros (que sempre a fazia perguntar para si mesma, de quem Maggie herdara os cabelos loiros, já que a mãe era ruiva), olhos cor de mel, pele levemente bronzeada, alto, forte. 
Ele poderia encantar qualquer mulher, mas ela duvidava que algum dia pudesse amá-lo, ao menos uma pequena parcela do que amava o Major Nelson.
De qualquer forma, ela poderia tentar. Poderia ser um pouco cedo, mas estava cansada de sofrer. E ela não ia enganá-lo e mesmo assim, Mark queria uma chance. Talvez fosse mesmo o melhor!
Lucy saiu do quarto de Maggie, depois de ver que a menina já tinha dormido, sorrindo para Jeannie e descendo as escadas.
Jeannie deu um beijinho na testa da criança e foi para o seu quarto.
Mark a viu no corredor e a alcançou, antes que ela fechasse a porta de seu quarto.
- Jeannie, eu sinto muito pelo que eu disse! Eu acho que me precipitei, não queria assustar você e causar-lhe mais um problema! Por favor, desculpe-me.
- Não precisa se desculpar! Acho que você tem razão! Eu preciso dividir meu sofrimento com alguém e deixá-lo se aproximar mais!
- Você quer dizer que...
- Sim. Eu aceito que me propõe!
Mark sorriu e sem poder mais se conter, deu um beijo em Jeannie.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 11:00 pm

XVI

Jeannie permitiu que ele a beijasse. O beijo começou devagar, mas Mark a abraçou aprofundando o gesto.
A gênia tentava com todas as suas forças corresponder, mas ela não conseguiu.
Ele então interrompeu o beijo, mas as mãos dele permaneceram na cintura dela.
- Eu peço que você me dê um pouco mais de tempo, por favor! Eu ainda não posso... – disse ela.
- Não se preocupe! Mas saiba que pode contar comigo sempre, certo? – ele deu um leve beijo na boca dela e se retirou.
Jeannie fechou a porta do quarto e encostou-se a ela, triste.
- Ah, Anthony...

*** 
- Eu farei isso nessa semana! 
- Faça hoje mesmo! Contrate um advogado e resolva de uma vez esse divórcio, Tony! – Pressionou Lisa, ao ir ao escritório dele essa manhã.
- Eu não tenho tempo para fazer isso hoje, tenho um teste daqui a meia hora!
- Está bem, então faça amanhã! Não podemos esperar mais para nos casar. Minha barriga logo vai começar a aparecer, não quero mais especulações sobre isso!
- Foi você quem criou essas especulações! Não pode reclamar!
- Não é verdade! Ah, eu estou tão cansada de tudo isso! Acha que é fácil para mim? Estou grávida e me sinto tão só, tão desamparada.
Lisa colocou a mão sobre a cabeça e sentou-se respirando fundo.
Tony, preocupada, se ajoelhou de frente para ela, segurando suas mãos:
- Está se sentindo mal?
- Estou um pouco fraca!
- Talvez seja melhor você ir para casa! 
- Não! Ficar em casa, só vai me deixar mais angústia, ao pensar nessa situação.
- Está bem, Lisa! Amanhã mesmo entrarei com o pedido de divórcio e nos casaremos o quanto antes.
- Ah, querido! – ela se inclinou para dar-lhe um beijo.
Tony teve que controlar o impulso de se afastar dela e permitiu que ela o beijasse.
Mas em sua mente só lhe surgia um nome: “Jeannie...”

*** 
- Não quer mesmo que eu vá com você? – perguntou Mark para a gênia.
- Eu agradeço muito, Mark, mas acho melhor que eu vá sozinha! Não quero que Anthony discuta com você!
- Está bem! Como você quiser!
Passou-se algum tempo e finalmente chegara o momento de Jeannie se divorciar de seu marido.
Quando ele assinasse o papel, estaria separada para sempre dele. Talvez nunca mais voltasse a vê-lo novamente.
Mas era melhor assim! Tentava convencer!

*** 
O Major Nelson estacionou seu carro em frente ao prédio de Lisa.
No dia anterior ela não tinha ido trabalhar e ele se preocupara, pensando que ela poderia estar se sentindo mal.
Tentou por duas vezes lhe telefonar, mas sempre dava ocupado.
Ele correu até o apartamento dela e deu leves batidas na porta. Ele pensou em bater mais porte, quando decidiu girar a maçaneta. A porta está aberta e ele entrou.
- Lisa? – ele a chamou, sem resposta.
No instante seguinte, ele ouviu a voz dela, vinda do quarto.
Tony se aproximou mais, mas parou de repente ao ouvir o que ela dizia. Parecia estar ao telefone:
- Sim, eu sei! Já consegui o dinheiro! Nunca pensei que esse falso exame de gravidez, fosse me custar tão caro! Mas está bem! O importante é que Tony vai hoje mesmo se separar daquela mulher e logo vou ser a senhora Nelson!
Lisa deixou o telefone cair de sua mão, ao notar que o Major Nelson estava parado, de frente à porta, olhando com raiva.
- Tony não esperava que aparecesse! Eu já estava de saída para base e...
- Então foi tudo uma armação sua? Você não está grávida?
- Não! Você deve ter entendido mal! Eu falava de outra coisa ao telefone!
- Não minta! Você pagou alguém para atestar que você estava grávida!
- Eu...
- Como pode fazer isso?
- Eu só queria que você se casasse comigo! Eu amo, Tony, queria poder estar sempre ao seu lado! – ela se aproximou dele, tentando abraçá-lo, mas o Major Nelson a afastou.
- Você armou tudo desde o começo, não foi? Desde aquela noite que vim ao seu apartamento. Não é verdade? Vamos, diga de uma vez!
- Está bem! Eu lhe dei algo para dormir, naquela bebida e tirei suas roupas, quando você pegou no sono! Mas eu fiz tudo isso por amor! Você tem que perdoar!
- Você foi cruel demais! Acabou com o meu casamento! Espero nunca mais vê-la novamente na minha vida!
- Espere Tony! – ela correu atrás dele, mas Tony saiu bem rápido de lá, indo embora.
Era tudo uma mentira! Todo seu sofrimento, sua angústia, a perda de sua esposa! Tinha tudo sido inútil!
Mas talvez ele ainda tivesse uma chance de reverter essa situação! Pensava ele.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 11:03 pm

XVII

Jeannie estava na sala, pronta para assinar os papeis do divórcio, mas o Major Nelson ainda não tinha chegado.
A gênia balançava os pés, num gesto de impaciência, pensando que talvez Anthony não esteja mais disposto a se separar.
Ela se sobressaltou, olhando rapidamente para a porta que se abriu no instante seguinte, despertando-a de seus pensamentos.
- Jeannie! Precisamos conversar!
- Senhor Nelson, finalmente apareceu! – disse o advogado. – Os papeis já estão em ordem para que verifique. Pode revisá-los, para ver se concorda!
- Eu não quero mais me divorciar!
- O quê? – disse Jeannie.
- Venha comigo, por favor!
Ele não deu tempo para que ela protestasse e puxou para fora da sala, deixando o juiz e os advogados estupefatos.

*** 
- O que pretende, Anthony?
- Jeannie, você precisa me ouvir, eu...
- Eu não quero ouvir nada! Você acha que pode ficar brincando dessa forma comigo?
- Jeannie...
- Saiba que pode não ter sido hoje, mas de um jeito o de outro, nos divorciaremos! Adeus! – ela piscou sumindo, antes que ele pudesse fazer algo.
Ah, mas ele não desistiria! Daria um jeito de falar com ela!

***
- Eu sinto muito, Jeannie! – Comentou Mark, tempos depois, quando a gênia lhe contou o que tinha acontecido! – Mas se ele não aceitar o divórcio, você pode pedir o litigioso!
- O que é isso?
- É uma forma de divórcio mais demorada, mas seu marido não poderá se opor a ele.
- Ah, Mark, eu estou tão cansada de tudo isso! Queria desaparecer!
- Não fique assim, Jeannie! Logo tudo isso irá se acabar!
Ele abraçou a gênia e Jeannie buscou conforto naqueles braços.

*** 
Era meia noite. O Major Nelson andava cuidadosamente pela beirada do andar de cima, da casa dos Jones.
Ele olhou sem ser visto para a janela de um dos quartos. Pela luz de um abajur, vista a filha de Mark, dormindo pacificamente.
Ele andou mais um pouco e um quarto com a luz acesa. Tony deu um sorriso, ao ver sua esposa, sentada pensativa, em uma poltrona.
Ele abriu a janela devagar e entrou no quarto. 
Tony se aproximou da gênia, com um sorriso doce.
- Jeannie, querida!
- O que você faz aqui! – disse ela, levantando-se em um salto.
- Por favor, não me mande embora, deixe- me ao menos falar por dez minutos!
- Ah, está bem! Diga logo o que quer e vá embora! Não quero que saibam que está aqui!
- Não quer que saibam ou que “ele” saiba?
- Vai começar com isso?
- Não. Desculpe. Eu não quero brigar com você! Eu vim aqui, porque descobri algo muito importante!
- O quê?
- Lisa não está grávida! 
- Como?
- Isso mesmo! Ela inventou uma gravidez falsa, para acabar com o nosso casamento e me fazer casar com ela! Nós não tivemos nada, Jeannie! Ela colocou algo em minha bebida e eu dormi. Ela tirou minhas roupas  e me fez acreditar que tínhamos dormido juntos! Hoje mesmo ela me confessou tudo!
- Não posso acreditar... Mas o que você estava fazendo no apartamento dela, naquela noite?
- Eu sei que errei, mas acabei aceitando o convite dela de ir até lá, para conversarmos um pouco. Naquele dia em tínhamos brigado, eu fui para o clube dos oficiais e encontrei Lisa por lá!
- E ela te chamou para ir ao apartamento dela!
- Isso mesmo! Eu sei que fui um tolo! Mas já paguei muito caro por isso!
- Isso tudo é tão absurdo! Não sei como ela foi capaz!
- Eu deveria ter desconfiado dela, eu deveria...
- Tudo isso se deve a sua implicância com o Mark! Você pensou mal dele e pior, pensou mal de mim!
- Jeannie, por favor! Perdoe-me! Vamos esquecer tudo isso!
- Eu não sei...
- Fui tudo uma armação! Não podemos acabar com nosso casamento por isso!
- Mas aconteceram tantas coisas desde nossa separação e...
- Você está se apaixonando por ele? – perguntou Tony com desespero. – Você me esqueceu? – No desespero, o Major Nelson abraçou Jeannie com força e tentou beijá-la.
- Pare! Não deve fazer isso! – disse ela, tentando se afastar dele.
Mas o Major Nelson a beijou profundamente e Jeannie não resistiu.
Sentia tanta saudade daquele beijo, do calor do corpo dele, de seu perfume!
Ela correspondeu com a mesma paixão, que sempre inflamava dos dois, quando eles se tocavam.
Antes que ela percebesse, já estava deitada na cama, com ele por cima dela, beijando seu pescoço.
Tony começou a tentar tirar a roupa de Jeannie, quando a gênia percebeu a porta de seu quarto começar a abrir.
- Alguém está entrando! – disse ela para Tony, com a voz baixa.
Rapidamente a gênia piscou, fazendo o Major Nelson desaparecer.
Maggie entrou no quarto, instantes depois, assustada:
- Jeannie! – ela abraçou a gênia com força.
- Querida o que houve?
- Eu tive um sonho horrível! – a menina começou a chorar e Jeannie tentou acalmá-la.
- O que você sonhou?
- Que você ia embora para sempre!
Jeannie, penalizada, abraçou a menina.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 11:09 pm

XVIII 

Jeannie esperou que Maggie voltasse a adormecer e a piscou para o seu quarto.
Impaciente, ela saiu de seu quarto e desceu as escadas, passando a andar de um lado para o outro da sala escura.
Ela se sobressaltou, assustada, quando a luz de abajur se acendeu e ela viu Mark sentado no sofá:
- Está sem sono? – disse ele.
- Ah, você me assustou!
- Desculpe, não foi minha intenção!
- Tudo bem! E sim, estou um pouco agitada para dormir!
- Foi por causa da visita de seu marido?
A gênia arregalou os olhos, surpresa.
- Você o viu?
- Sim, eu estava aqui em baixo, lendo um livro, quando ouvi passos no quintal. Fui olhar para ver quem era e reconheci o Major Nelson. – ela ficou calada e ele disse: - Ele veio tentar uma reconciliação?
Jeannie sentiu-se embaraçada com a pergunta, mas resolveu dizer a verdade:
- Bem, veio! Ele descobriu que as razões que nos separavam, se deviam a uma armação de uma mulher ruim! –a gênia continua caminhando pela sala, ainda tensa.
- Entendo...
- Ele quer que eu volte para ele.
- E você quer voltar?
- Eu não sei! Acho que agora é tarde! Depois de tanto sofrimento, ciúmes e depois de eu já estar aqui com vocês...
- Jeannie, sente-se aqui! – ele indicou com a mão um lugar ao seu lado.
A gênia sentou-se e ele olhou fundo nos olhos dela.
- Eu estive aqui por um tempo pensando. Acho que eu nunca terei chance com você!
- Mark, eu...
- Você ama o Major Nelson. Existe algo tão profundo que os une, que jamais alguém poderia mudar isso. Eu não sei bem ao certo o que fizeram para separá-los, mas mais cedo ou mais tarde, vocês se unirão de novo!
- Não sei! Estou confusa! Realmente armaram contra nós, mas Anthony também tem uma parcela de culpa em tudo isso. Ele sempre se preocupou somente com o seu trabalho, sempre me deixava sozinha. E também tratou muito mal a você e indiretamente a Maggie também!
- Você está magoada, Jeannie, é natural! Mas isso não muda o que você sente por ele! Se você o ama e ele a ama também, esses pequenos empecilhos poderão ser superados.
- Mas eu gosto de estar aqui! Eu me sinto bem! Maggie alegra os meus dias, com sua doçura, seu carinho. Lucy e eu nos tornamos boas amigas e passamos horas conversando. E você... Você foi sempre tão gentil comigo, tão amável! Eu sempre me sinto bem quando estou ao seu lado!
- Jeannie... – Mark se aproximou mais dela e a beijou.

*** 
O Major Nelson deitou-se em sua cama, pensativo.
Ele já estava perto de reconquistar sua esposa, quando para o seu azar, alguém ia entrar no quarto e Jeannie deu um jeito de se livrar dele.
Seria Jones? Será que ele visitava o quarto dela à noite?
O Major Nelson sentiu uma onda de ciúme invadir o seu corpo. Ele não podia evitar. Sabia que Mark Jones estava apaixonado por sua esposa, ele viu isso nos olhos dele,
E Jeannie estava ali, na casa dele, um alvo fácil de conquista.
O Major Nelson respirou fundo e tentou afugentar esses pensamentos.
Se Jeannie estava longe dele, tinha sido por sua culpa também.
Ele há tempos não lhe dava atenção, não a valorizava como ela merecia.
Por isso Jeannie tinha se apegado àquela menininha. E ele, ao invés de tentar agradá-la, para fazer com ela se sentisse bem, acabou agindo mal e se tornado alvo fácil de Lisa!
Lisa! Ele esperava não voltá-la a vê-la nunca mais! Se ela ainda permanecesse na base, daria ordens explícitas, para que ela não aparecesse em sua sala.
Mas ele não iria mais pensar nela. Tudo o que importava agora era reconquistar Jeannie. Antes que fosse tarde demais.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 11:13 pm

XIX

Mark continuava beijando Jeannie, enquanto levemente “caia” por cima dela, no sofá.
Ele aprofundou o afeto e uma de suas mãos deslizou ousadamente pela coxa dela.
Jeannie abriu os olhos e retirou a mão dele dali.
- Não!
- Jeannie?
- Não podemos...
- Não podemos, ou você que não pode?
- Mark, entenda! Isso não está certo! Eu ainda sou casada e...
- Você ama seu marido! Isso era tudo o que eu precisava, para lhe dizer uma coisa:
- Do que está falando?
- Vá, Jeannie! Volte para seu marido!
- Está me mandando embora?
- Não. Estou te dando um conselho! Você sempre será bem-vinda em minha casa. Nunca esquecerei o quanto você me ajudou, cuidando de Maggie, quando ela mais precisava. Eu amaria ter você aqui para sempre, como minha esposa e mãe da minha filha! Mas sei que seu lugar não é aqui!
- Mark me desculpe, eu nunca quis magoar você! Eu também não quero abandonar Maggie. Ela vai sofrer por minha causa!
- Não se preocupe comigo, há muito eu aprendi a enfrentar a vida, aconteça o que aconteça. Quanto a Maggie, não se sinta presa por causa dela. Vai ser um pouco difícil para ela, mas eu me encarregarei que ela fique bem! Ela é muito jovem, vai aprender a esquecer! E eu estarei sempre ao seu lado, enquanto ela precisar de mim!
- Eu nem sei mais o que dizer, eu ainda não sei se devo ir!
- Vou lhe mais um conselho, então! Vá dormir, descanse. E se você achar que deve ir, vá! Eu desejo de todo o coração que seja feliz, Jeannie!
Mark se ergueu e subiu para o seu quarto. Jeannie derramou algumas lágrimas e decidiu acatar o conselho dele.

*** 
Jeannie andava pelas ruas, com saco de compras em um dos braços.
Lucy tinha pedido que ela lhe trouxesse algumas coisas do supermercado.
A gênia agora sentia-se desconfortável de ainda estar na casa, depois que Mark e aconselhou ir embora.
Ela morria de saudades de Tony, queria poder estar com ele. Sentia falta do riso, do seu olhar concentrado, quando estava trabalho. Do modo como ele a abraçava.
Ela o amava tanto, que sua ausência a machucava demais.
Por outro lado, perder aquela pequena família, que ela aprendera a amar, era muito duro para ela.
Distraída, ela deu um grito, quando sentiu alguém tocar em seu braço.
- Ei, calma! Sou eu, Jeannie! - O Major Nelson olhou para ela dando um sorriso. 
- Anthony! – ela teve que sorrir também.
Ela se perguntava se sempre sentiria seu coração acelerar de emoção, sempre que o visse. Principalmente usando seu uniforme da força aérea.
- Jeannie, eu estou desesperado! Não posso mais ficar longe de você. Por favor, volte para casa!
- Amo...
- Eu sei que direta e indiretamente sou culpado por tudo o que aconteceu. Coloquei o trabalho em primeiro lugar, sem perceber o grande tesouro que eu tinha ali, ao meu lado. Você é tudo para mim, Jeannie. Nada vale a pena, nada tem sentindo, se você não estiver ao meu lado. Eu faço o que você quiser, mas volte para nossa casa!
- Ah, querido! – Jeannie o abraçou com força.
Não podia mais aguentar. Ele era sua vida e jamais poderia ficar longe dele.

*** 
- Eu gostaria de me despedir de Maggie! – falou Jeannie para Mark, na porta de entrada da casa.
Depois que fizera as pazes com Tony, Jeannie tinha voltado para a casa de Jones, para se despedir.
- Ela está passeando com Lucy! E acho melhor assim, Jeannie! Eu preciso falar com ela antes e explicar a verdade.
- Eu me sinto tão mal por isso! – os olhos dela se encheram de lágrimas.
- Não sinta! Você já fez muito por ela! Está na hora de viver sua própria vida.
- Ela também fez muito por mim! – Jeannie abaixou a cabeça e pegou sua mala. – Adeus, senhor Jones!
- Adeus, senhora Nelson!
A gênia  já ia saindo, quando ele a deteve:
- Jeannie?
- O quê?
- Só um instante!
Ele correu para dentro de casa e voltou, trazendo a garrafa de gênio dela, na sua maletinha.
- Um gênio não pode se esquecer de sua garrafa!
- Como? – ela pegou o objeto com uma das mãos, olhando para ele surpresa. Ele sabia?
- Agora você pode ir! – ele sorriu e depois de um tempo parada, ela decidiu pegar o táxi que a esperava.
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MensagemAssunto: Re: Vidas solitárias    Vidas solitárias  EmptyQui Jan 28, 2016 11:15 pm

Epílogo

- O almoço já está pronto, Anthony! – disse Jeannie ao marido, naquela ensolarada tarde de domingo. 
- Já estou indo querida! – ele respondeu da sala.
Havia se passado uma semana, desde que Jeannie tinha voltado para casa.
O Major Nelson havia lhe dito que Lisa, desiludida por seus planos não terem dado certo, pediu demissão da base e foi embora da Praia dos Cocos.
Isso deixava Jeannie aliviada por saber que ela não a prejudicaria mais. 
Especialmente agora que o Major Nelson estava sendo tão carinhoso com a gênia, tão apaixonado, deixando-a muito feliz.
Contudo, uma pontada de tristeza ainda estava em seu coração, quando pensava em Maggie. Principalmente sabendo que a garota deveria estar triste com a partida dela.
- Jeannie? – a voz de Tony despertou a gênia de seus pensamentos.
- O quê?
- Estava dizendo que o assado está com uma cara ótima!
- Ah, obrigada!
- Você ainda está triste, não está?
- Desculpe querido, mas não consigo deixar de pensar em Maggie!
- Eu entendo! Mas gostaria que você não ficasse assim!
Ela deu um fraco sorriso para ele, quando a campainha tocou.
Jeannie se apressou para atender e ficou surpresa, quando Maggie correu para abraçá-la.
- Jeannie!
- Ah, querida! O que faz aqui? – disse a gênia com um enorme sorriso.
- Viemos nos despedir de você, Jeannie! – disse Mark, aproximando-se das duas.
- Senhor Jones!
- Fico feliz em ver que está bem, Jeannie! – falou Mark, enquanto Tony se unia a eles na porta da frente.
- Obrigada! – ela sorriu para Mark e se voltou para a menina, ainda abraçada a ela. – Como você está, querida?
- Estou bem! – Maggie se afastou um pouco para olhar para a gênia. – Papai me explicou que você precisava voltar para seu lar!
- Eu não queria deixá-la, Maggie, mas foi o melhor! Espero que me perdoe!
- Eu não estou brava com você, Jeannie! O importante é que você seja feliz!
Jeannie ficou impressionada com a doçura e maturidade de uma criança ainda pequena.
- Obrigada! – fui tudo o que ela pode dizer.
- E sempre que eu olhar para minha boneca preferida, a Mary Jeannie, vou me lembrar de você!
- Ah, querida! – disse , sorrindo para a menina.
Tony encarou Mark e disse-lhe.
- Eu gostaria que me desculpasse pelo meu comportamento do outro dia. Eu fui totalmente irracional.
- Eu o entendo, major! Se eu tivesse uma esposa como Jeannie, teria feito o mesmo! Está tudo esquecido!
- Obrigado! - o Major Nelson deu um sorriso e apertou a mão de Mark, num gesto cordial.
 - Bem, agora temos que partir! – disse Mark Jones. – Eu passarei alguns meses morando em outra cidade, próximo dos avós maternos de Maggie. Creio que fará bem a ela, estar perto dos parentes de sua mãe. Enfim, se ela se adaptar bem lá, ficaremos definitivamente!
- Eu vou sentir muita saudade de você, Jeannie!
- Eu também, Maggie! – disse a gênia controlando a vontade de chorar.
- Bem, adeus, Jeannie! – disse Mark. – Seja muito feliz!
Ele fez um sinal para Maggie, que deu mais um abraço na gênia e foi embora com seu pai, acenando do carro.
Jeannie entrou em casa, com Tony, sem poder conter mais as lágrimas.
- Não fique assim, querida! – o Major Nelson abraçou a esposa com carinho.
- Eu sei que ela não era minha filha, mas eu me apeguei tanto a ela!
- Eu sei! Mas ela vai ficar bem e feliz com a família dela. E quanto a você, eu estou aqui e sempre estarei ao seu lado! 
- Ah, querido! – ela o beijou e ele a olhou com amor.
- Um dia desses teremos uma linda criança aqui, só nossa! Para alegrar ainda mais nossa vida!
- Sim, querido, sim! – ela colocou as mãos no pescoço dele e ele abaixou a voz:
- O que acha que começar a tentar ter uma agora?
- Agora? E o almoço?
- Ele que espere!
Jeannie deu um amplo sorriso, balançando a cabeça em confirmação e o Major Nelson a pegou no colo, levando para o quarto. 

Fim
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